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quinta-feira, 13 de abril de 2017

17º artigo "Pela sua Saúde..." - Hepatite A - Desmistificar

Artigo publicado no Jornal das Caldas - 12/04/2017

A Hepatite A tem sido tema na comunicação social, pela existência de um surto da doença em Portugal. Importa saber como se transmite, não só para prevenir a infecção como para desmistificar alguns factos que a comunicação social não soube esclarecer, levando a opinião pública a associar a Hepatite A a determinados grupos de risco, o que é errado. Mais que grupos de risco, qualquer doença deve ser associada a comportamentos de risco e esses sim devem ser evitados por forma a prevenir a sua transmissão.
O vírus da Hepatite A (VHA) entra no organismo através do aparelho digestivo e multiplica-se no fígado, causando neste órgão a inflamação denominada hepatite A. Esta doença cura-se rapidamente na maioria dos casos (ao fim de cerca de três semanas) sem necessitar de internamento hospitalar ou de um tratamento específico e sem deixar vestígios. Após a cura, o vírus desaparece e surgem anticorpos protectores que impedem uma nova infecção, por isso, não existem portadores crónicos.
Náuseas, febre, falta de apetite, fadiga, diarreia e icterícia são os sintomas mais comuns que, consoante a reacção do organismo, podem manifestar-se durante um mês. De início, a doença pode ser confundida com uma gripe, uma vez que esta também provoca febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça e inflamação dos olhos mas, as dúvidas desfazem-se quando a pele e os olhos ficam amarelados, sinal de icterícia.
O VHA transmite-se, geralmente, através da ingestão de alimentos ou de água contaminados por matérias fecais contendo o vírus. Também a transmissão por via sexual pode ocorrer e parece ser esta a via de transmissão que está na origem do surto de Hepatite A em Portugal. Tal deve-se a comportamentos de risco como o não uso do preservativo numa relação sexual anal, ficando o indivíduo exposto à matéria fecal do parceiro e consequentemente a sua infecção.
A prevenção em termos individuais, passa por manter hábitos de higiene elementares e, em termos colectivos, a continuação da aposta na melhoria das condições sanitárias e na educação. O contacto com pessoas infectadas é também um factor de risco, sendo necessário redobrar os cuidados durante o período infeccioso e lavar a louça a altas temperaturas, não utilizar a mesma sanita, não partilhar a mesma cama e ponderar os contactos sexuais, evitando o sexo oro-anal e usando preservativo no caso da penetração anal.
A vacina contra a hepatite A é obtida a partir do vírus inactivo, é bastante eficaz e não tem quaisquer contra-indicações. Só pode ser administrada mediante prescrição médica e principalmente a pessoas que vão viajar para países pouco desenvolvidos.
A DGS está a acompanhar a evolução deste surto e importa reforçar a adopção de medidas de protecção individual evitando ao máximo os comportamentos de risco. Visto a via de transmissão neste surto ser a via sexual, o uso do preservativo é obrigatório na prática sexual em especial no sexo anal. Lembre-se que mais vale prevenir e para prevenir é preciso conhecer!

Enf. Miguel Miguel

Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

16º artigo "Pela sua Saúde..." - O vírus Zika

In Jornal das Caldas de 10/02/2016

Ultimamente nos meios de comunicação social, em sido frequente falar no vírus Zika e na sua propagação nos países da América Latina, em especial no Brasil. Embora Portugal não seja um país em que o vírus esteja a propagar-se, infelizmente já existem pelo menos 6 casos detectados em cidadãos oriundos do Brasil e que viajaram para o nosso país. Porque acredito que a melhor forma de evitar alarmismos é esclarecer e manter os cidadãos informados, decidi escrever este artigo para dar a conhecer o vírus Zika.
O vírus Zika provoca uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos. Os principais sintomas são erupções pruriginosas na pele, febre intermitente, conjuntivite sem prurido, dores musculares e nas articulações e cefaleias. São menos frequentes mas pode surgir dor de garganta, tosse e vómitos. Há suspeitas ainda não inteiramente comprovadas que a doença possa provocar alterações no feto durante a gravidez, em particular microcefalia. Aconselha-se por isso que as mulheres grávidas que tenham permanecido em áreas afectadas, após o regresso, consultem o seu médico assistente, mencionando a viagem.
Geralmente a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias, embora as dores articulares possam permanecer durante um mês.
Não existe tratamento específico para o vírus Zika. O tratamento é sintomático sendo o paracetamol o principal medicamento utilizado para o controle da febre e da dor. No caso de erupções pruriginosas, os anti-histamínicos podem ser considerados.
Os principais cuidados a ter importam para quem vai viajar para zonas que estão afectadas pelo vírus Zika. Deve procurar aconselhamento na consulta do viajante, em especial mulheres grávidas. No país de destino deve seguir as recomendações das autoridades locais, evitando a picada de mosquitos. Para tal deve usar repelentes de insectos bem como vestuário adequado para diminuir a exposição corporal à picada, optar preferencialmente por alojamento com ar condicionado e com redes mosquiteiras. Deve respeitar os períodos do dia em que os mosquitos picam mais frequentemente.
Os viajantes provenientes de uma área afectada que apresentem, até 12 dias após a data de regresso, os sintomas acima referidos, devem contactar a Saúde 24 (808 24 24 24), referindo a viagem que realizaram recente. Todos os casos detectados actualmente no nosso país, evoluíram favoravelmente.
Estar informado e conhecer a doença evita alarmismos que em nada ajudam no normal funcionamento das nossas unidades de saúde. O vírus Zika e os mosquitos infectados felizmente continuam limitados noutras latitudes o que para já não implica a adopção de outras medidas de controlo, tendo apenas em especial atenção quem vai viajar ou regresse de países onde a doença prevalece. A Direcção Geral de Saúde está atenta à evolução desta doença. Para já basta manter-nos informados!

Enf. Miguel Miguel

Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

15º Artigo "Pela sua saúde..." - A Gripe


In Jornal das Caldas, 14/10/2015

Com o Outono a decorrer, a incidência da gripe aumenta exponencialmente, estando toda a população predisposta a sofrer com este problema de saúde.
A gripe é uma doença aguda, geralmente de origem viral que afecta predominantemente as vias respiratórias. O vírus é transmitido através de partículas de saliva de uma pessoa infectada, expelidas sobre­tudo através da tosse e dos espirros, mas tam­bém pode ocorrer por contacto directo, por exemplo, através das mãos. Após o contacto com o vírus, o período de incubação (tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas) é, geral­mente, de 2 dias, mas pode variar entre 1 e 5 dias.
Como principais sintomas podemos salientar nos adultos: início súbito de mal­ estar, febre alta, dores musculares e arti­culares, dores de cabeça e tosse seca. Pode também ocorrer inflamação dos olhos. Nas crianças, os sintomas dependem da idade. Nos bebés, a febre e prostração são as manifes­tações mais comuns. Os sintomas gastrintesti­nais (náuseas, vómitos, diarreia) e respiratórios (laringite, bronquiolite) são frequentes. A otite média pode ser uma complicação frequente no grupo etário até aos 3 anos. Nas crianças maiores, os sintomas são seme­lhantes aos do adulto.
A gripe difere da constipação, pois os vírus que as causam são diferentes e, ao contrário da gripe, os sintomas/sinais da consti­pação são limitados às vias respiratórias superio­res: nariz entupido, espirros, olhos húmidos, irritação da garganta e dor de cabeça. Raramente ocorre febre alta ou dores no corpo. Os sintomas e sinais da constipação surgem de forma gradual.
A gripe é, habitualmente, uma doença de curta du­ração (até 3 a 4 dias) com sintomas de intensidade ligeira ou moderada, evolução benigna e recupera­ção completa em 1 ou 2 semanas.
 Nas pessoas idosas e nos doentes crónicos a re­cuperação pode ser mais longa e o risco de com­plicações é também maior, nomeadamente, pneumonia e/ou descompensação de doenças de base (asma, diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal). Existem inúmeras formas de prevenir a gripe, sendo a principal através da vacinação anual. Devem ser vacinadas as pessoas que têm maior risco de sofrer complicações depois da gripe, nomeadamente, pessoas com 65 e mais anos de idade, principal­mente se residirem em instituições, pessoas com doenças crónicas dos pulmões, do coração, dos rins ou do fígado, diabetes e outras doenças que diminuam a resistência às infecções.
A vacina da gripe é gratuita para pessoas com 65 anos ou mais e pode ser feita nos centros de saúde, sem receita médica, guia de tratamento e sem pagar taxa moderadora. As pessoas pertencentes a grupos de risco residentes em instituições ou internadas também podem vacinar-se gratuitamente. As pessoas com menos de 65 anos podem comprar a vacina nas farmácias com receita médica e é comparticipada. Recordo que o profissional mais qualificado para lhe administrar a vacina é o enfermeiro, o qual dispõe de todas as competências nessa área.
Cuide de si e dos outros, seguindo os conselhos na tabela ao lado. Aposte sempre na prevenção porque a saúde depende de todos nós!

Enf. Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

14º Artigo "Pela sua saúde..." - Hipotensão ou tensão baixa



A manutenção da pressão do sangue quando sai do coração e circula por todo o organismo é tão essencial como manter a pressão da água nas canalizações de uma casa. A pressão deve ser suficientemente alta para levar oxigénio e nutrientes às células do organismo e extrair delas os produtos a eliminar. Se esta pressão for demasiado baixa, implica dificuldades nestas funções do nosso corpo.
As causas podem ser variadas: diminuição da quantidade de sangue no corpo, desidratação, jejum prolongado, uso excessivo de medicações contra a hipertensão, diuréticos e de medicamentos para emagrecer, entre outros, podem ser os responsáveis por essa condição. Também, nos dias de calor, a tendência é diminuírem os níveis de pressão, porque as artérias ficam mais dilatadas e o sangue não precisa exercer muita força para circular. Quando a pessoa se levanta de repente depois de muito tempo deitada ou sentada, ocorre um défice momentâneo na irrigação do cérebro por causa do retorno venoso mais lento e do subsequente débito cardíaco. Neste caso, estamos perante uma hipotensão postural ou ortostática. Também a hipotensão pode manifestar-se quando a pessoa fica muito tempo em pé, parada, sem se movimentar, ou em resposta a uma experiência de grande impacto emocional.
Os valores de hipotensão arterial variam de pessoa para pessoa e podem situar-se entre os 90 e os 60 mmHG. O limite aceitável da hipotensão é determinado pela capacidade de perfusão tecidual, ou seja, pelo fluxo sanguíneo e aporte de oxigénio oferecido aos tecidos para mantê-los funcionando. Abaixo desses níveis, a situação é considerada de choque circulatório, estabelecido ou iminente, uma urgência médica de extrema gravidade.
Os sintomas da hipotensão podem ser: sonolência, cansaço fácil, tonturas e sensação de desmaio, palidez cutânea, vertigens, dores de cabeça, suores e náuseas. Em situações mais graves de hipotensão pode ocorrer uma síncope (desmaio) pela falta de aporte de oxigénio no cérebro. Os primeiros sinais são tonturas, uma sensação de vazio na cabeça, coloração escura e tremor dos olhos. As pessoas afectadas perdem a consciência e consequentemente o controlo dos seus músculos por um curto período de tempo. Habitualmente o doente recupera rapidamente a consciência após a queda pois existe de novo retorno do sangue no coração.
A hipotensão assintomática normalmente não necessita de tratamento quando a pessoa é saudável. Uma dose de cafeína pela manhã pode ajudar bastante. Em casos leves, onde a pessoa ainda está sensível, deitar de costas para baixo e levantando as pernas vai ajudar a aumentar o fluxo sanguíneo, tendo assim mais sangue disponível para os órgãos de risco, localizados no peito e na cabeça. Em situações mais graves de hipotensão, deve-se recorrer a tratamento farmacológico.
Lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!

Enf. Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

11º Artigo "Pela sua saúde..." - Náuseas e Vómitos... Cuidados!

 


Embora sejam respostas fisiológicas do nosso organismo a diversas causas, convém sabermos quais os principais cuidados a ter nestas situações, uma vez que podem surgir a qualquer momento.
Náusea corresponde à desagradável sensação de vontade de vomitar, geralmente sentida na parte superior do abdómen, variando de intensidade e podendo ser seguida por vómitos. Aliás geralmente após o vómito existe o alívio das náuseas.
O vómito é a expulsão forçada pela boca do conteúdo do estômago ou da porção inicial do intestino. Não confundir vómito com regurgitação pois neste caso não existem náuseas nem contracções musculares violentas. O conteúdo expelido pode ser de alimentos por digerir, digeridos ou apenas de secreções como saliva, suco gástrico, suco pancreático ou bílis.
Nas principais causas destaca-se a simples ingestão de um alimento que não toleramos ou em mau estado, substâncias irritante ou tóxicas, movimentos dum barco, dum carro ou dum avião, durante a gravidez, fármacos, em especial os utilizados na quimioterapia e os analgésicos opiáceos, como a morfina, irritação ou uma inflamação do estômago, do intestino ou da vesícula biliar podem ser causas. Também em caso de obstrução do intestino pode ocorrer o vómito dos alimentos acima da obstrução.
Os principais sintomas caracterizam-se para além da sensação de náusea, sentir um mal estar generalizado, falta de apetite, vontade de ficar parado ou numa posição específica, deitado ou sentado para se sentir melhor.
Dependendo da causa, as náuseas e vómitos podem ser acompanhados por outros sintomas como dor, distensão abdominal e diarreia como nas infecções gastro-intestinais causadas por vírus ou bactérias.
A maioria dos episódios de náuseas e vómitos, melhora espontaneamente em horas contudo é muito importante a hidratação. Principalmente crianças e idosos, devem ser estimulados a manter abundante ingestão de líquidos (água, sopa, chás) para prevenir a desidratação. É normal não existir vontade de comer durante as náuseas, e não há necessidade de forçar a ingestão de comida mas os esforços devem ser concentrados em estimular a beber líquidos.
Após o episódio agudo se tem vontade de comer, deve iniciar com pequenas quantidades de comida com pouca gordura. As sopas fervidas com cereais, (arroz, por exemplo) costumam ser bem toleradas.
Pelo contrário a sintomatologia não reverter em horas, deverá procurar ajuda médica uma vez que o mau estar generalizado e o risco de desidratação são enormes para além de poder estar perante uma causa que pode ter que ser tratada com ajuda diferenciada e enquanto esta não for atingida, as náuseas e vómitos irão manter-se. Deverá relatar de forma precisa o que ingeriu nas últimas 24 horas, bem como outros sintomas que acompanham para que possa ser diagnosticada rapidamente a causa. Numa fase inicial ser-lhe-á administrada soroterapia bem como fármacos anti-eméticos que vão aliviar os sintomas.
Lembre-se que conhecer e apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!

Enf. Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.PT
 
 

domingo, 31 de agosto de 2014

10º Artigo "Pela sua saúde..." - Ter uma Caixa de Primeiros Socorros


A qualquer momento na nossa vida podem surgir doenças súbitas ou pequenos acidentes domésticos! Ter em nossas casas uma caixa de primeiros socorros (CPS), pode ser muito útil, tendo à mão os acessórios adequados faz toda a diferença, contribuindo para manter a situação sob controlo, evitando maiores danos para a saúde, ou mesmo salvando a vida.
Entendemos os primeiros socorros, como as medidas imediatas que se prestam quando há risco súbito para a saúde, até à chegada de ajuda especializada. Cuidados como a desinfecção de feridas e aplicação de pensos e ligaduras ou a prestação de técnicas básicas de emergência em situações como traumatismos e hemorragias, intoxicações, queimaduras e escaldões, obstrução das vias respiratórias ou paragem cardio-respiratória são exemplos de acções que cada um de nós devia saber e dominar porque nunca sabemos quando vamos encontrar alguém que precise de ajuda, podendo ser até os nossos familiares.
Saber como actuar para estancar uma hemorragia ou proteger uma ferida está ao alcance da maioria de todos nós. Por isso é importante ter uma CPS equipada com o material necessário e acessível, em casa e no carro, de modo a responder aos diferentes ambientes em que os problemas de saúde podem acontecer.
A CPS deve estar num local de fácil acesso, onde pelo menos as pessoas que partilham o local tenham conhecimento da mesma, porém o seu acesso deve estar vedado às crianças, dado o risco de uma intoxicação ou outro acidente relacionado com o manuseamento dos produtos e medicamentos. Mas, quando a criança já tem idade para compreender o risco de um uso inapropriado e a importância dos primeiros socorros, há que deixá-la ter conhecimento do local onde a caixa se encontra, podendo ser esta importante na prontidão da resposta.
No seu essencial deve conter um conjunto de acessórios básicos como adesivos, compressas, pensos rápidos de vários tamanhos, ligaduras elásticas, uma solução anti-séptica, uma solução estéril para limpeza dos olhos (soro fisiológico em doses individuais), tesoura, termómetro, uma seringa para lavagem, luvas descartáveis (pelo menos dois pares), um saco para guardar os materiais usados e solução para lavar as mãos (antes e depois da prestação dos cuidados).
Deve conter também alguns medicamentos necessários: pomada desinfectante, pomada analgésica, anti-histamínico, analgésicos e anti-inflamatórios. A existência de uma lista de números de emergência e um manual de primeiros socorros, com instruções simples para as ocorrências dos mais comuns, também não deve ser descurado.
Não podemos esquecer que pelo menos de 3 em 3 meses devem ser verificadas as datas de validade dos componentes, bem como a sua reposição sempre que se recorre à CPS. Nos próximos meses irei abordar como actuar em algumas situações que podem ocorrer no nosso dia-a-dia, mas lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!
 
 

domingo, 27 de julho de 2014

9º Artigo "Pela sua saúde..." - VIH, prevenir custa tão pouco!


 
O VIH é um vírus bastante poderoso, responsável pela SIDA. Ao entrar no nosso organismo começa de imediato a multiplicar-se, atacando o sistema imunológico. O VIH destrói as células defensoras do organismo e deixam a pessoa infectada (seropositiva), mais debilitada e sensíveis às chamadas infecções oportunistas que são provocadas por micróbios e que não afectam as pessoas cujo sistema imunológico funciona convenientemente.
O VIH pode ser transmitido através de sangue, sémen, fluidos vaginais, leite materno e fluidos pré-ejaculatórios dos seropositivos. Não se transmite pelo ar, nem penetra no organismo através da pele, precisando de uma ferida ou de um corte para penetrar no organismo.
A fase aguda da infecção com VIH ocorre uma a 4 semanas após o momento do contágio. Os sintomas são semelhantes aos de uma gripe: febre, suores, dor de cabeça e estômago, nos músculos e nas articulações, fadiga, dificuldades em engolir, gânglios linfáticos inchados e um leve prurido. Estes sintomas podem durar até 3 semanas. Após a fase aguda os sintomas desaparecem e observa-se um decréscimo da carga vírica, embora o vírus esteja a multiplicar-se no seu organismo o que pode prolongar-se por vários anos. É neste período que se encontram, actualmente, 70 a 80 % dos infectados em todo o mundo.
Na fase sintomática da infecção (mas ainda sem critérios de SIDA), o doente começa a ter sintomas e sinais de doença, indicativos da existência de uma depressão do sistema imunológico. Cansaço não habitual, perda de peso, suores nocturnos, falta de apetite, diarreia, queda de cabelo, pele seca e descamativa, são alguns dos sintomas que podem surgir. A SIDA propriamente dita caracteriza-se por uma imunodeficiência grave que implica o aparecimento de infecções oportunistas e tumores.
As principais medidas preventivas passam por usar sempre preservativo nas relações sexuais, não partilhar agulhas, seringas, material usado na preparação de drogas injectáveis e objectos cortantes (agulhas de acupunctura, instrumentos para fazer tatuagens e piercings, de cabeleireiro, manicura).
É, também, preciso ter atenção à utilização de objectos, uma vez que, se estiverem em contacto com sémen, fluidos vaginais e sangue infectados, podem transmitir o vírus.
Felizmente hoje em dia existe medicação bastante eficiente, que inibe a multiplicação do vírus VIH, mantendo este a níveis que não compromete o sistema imunitário, contribuindo assim para que hoje a SIDA seja considerada uma doença crónica, pela grande esperança de vida.
Infelizmente ainda não existe a cura da doença e apenas a prevenção e o não desenvolvimento de comportamentos de risco permitem controlar a sua propagação. Por isso lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!
 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Quando falamos e nos querem calar...

In Jornal das Caldas 25/06/2014

Todos os cidadãos devem ter uma voz activa na sociedade, revestindo-se de maior importância a nível local onde os problemas da nossa rua, da nossa cidade, do nosso concelho devem ser trabalhados e apresentados a quem de direito para lutarmos por mais qualidade e melhores condições de vida. Lamento que os cidadãos hoje em dia não liguem a este propósito, muitas vezes criticando apenas na mesa do café, sem encaminhar os assuntos a quem tem a competência e obrigação de os resolver. A Assembleia Municipal é um desses locais privilegiados onde os cidadãos têm 30 minutos consagrados em Regimento para que possam expressar as suas ideias, os seus problemas, os seus anseios relacionadas com a governação local.
Por isso elegi a cidadania participativa como a melhor forma de agir e intervir, apresentando as minhas ideias, as minhas críticas em nome de um concelho que considero poder ser melhor para todos. Nesse sentido vou intervindo através do blog Salubridades, através de artigos de opinião como este, através de intervenções na Assembleia Municipal e foi mesmo por causa da minha última intervenção na Assembleia Municipal de dia 17 que fiquei estupefacto com a postura do Sr. Presidente da Câmara, Dr. Tinta Ferreira.
Fiquei a saber, que por ser membro/simpatizante de uma força política local, não devo intervir nas Assembleias Municipais, bem como qualquer outro cidadão que seja simpatizante ou militante de qualquer força política. Ou seja, os 30 minutos destinados ao público devem ser exclusivamente utilizados por quem tenha uma “ficha política em branco”, caso contrário deve abster-se de intervir… Foi mais longe ainda, referindo que qualquer dia as intervenções do público deviam ter era 30 segundos de duração… Como se o Dr. Tinta Ferreira fosse quem definisse as regras da Assembleia Municipal e seu Regimento… Foi vergonhoso, ultrajante e uma tentativa clara de calar os cidadãos, demovendo-os da sua participação cívica. Para mim, esteve em causa a liberdade democrática, naquela que é a casa da democracia caldense e onde as diferenças de ideias e o debate deviam prevalecer.
A minha intervenção teve por base o estado de degradação dos equipamentos públicos, nomeadamente as piscinas municipais e a pista de atletismo que se encontram degradadas pondo em causa a segurança dos utilizadores, a falta de sinalização horizontal na Estrada Atlântica e a inexistência de um número de urgência para o Piquete da Câmara Municipal. Questões que considero urgentes de serem resolvidas, as quais foram levadas à Assembleia Municipal, em nome individual num acto de cidadania que estimo praticar. Foi uma intervenção construtiva, sem qualquer outro objectivo senão alertar os autarcas locais da necessidade urgente de resolver estes problemas.
Senti-me frustrado, condicionado e manipulado por alguém que não aceita a critica, não tem humildade para aceitar e trabalhar as ideias dos outros, que dizia governar para todos e que põe em causa os direitos democráticos, a cidadania participativa que não entende o que é e mais grave ainda o papel do Presidente da Assembleia Municipal e seu Regimento.
Nada mais há a dizer! Fica o meu descontentamento e a minha vontade ainda maior de intervir sempre que possa, porque não é com estes “tiques autoritários” do Dr. Tinta Ferreira que vou deixar de desempenhar o meu papel. Este concelho é de todos e é meu também!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O poder do título...

A primeira página da Gazeta de hoje brinda-nos com um título "politicamente correcto" no alinhamento editorial com o executivo camarário... ao ler-se "Câmara altera projecto da Praça da Fruta para melhorar a circulação de veículos", nada mais é do que um título enganoso para mistificar a realidades dos factos. A Câmara Municipal não vai alterar o projecto meramente para melhorar... vai alterar porque errou no projecto, enganou-se e o resultado poria em causa a circulação automóvel. E como errou, vai ter de pagar a mais por isso ao construtor!
Porque é bem claro e todos nós sabemos que os projectos da regeneração urbana não são para alterar, palavras do Dr. Tinta Ferreira e do Dr. Hugo Oliveira! Foram aprovados assim e assim ficarão até ao final da construção. Todas as sugestões de melhoramento/funcionalidade feitos pelos cidadãos e forças politicas do concelho têm obtido sempre a mesma resposta: "esse tempo já passou, agora é para construir, não sendo possível neste momento qualquer alteração". Por isso se fosse verdade este título, então estaríamos perante uma abertura da Câmara Municipal a aceitar melhoramentos aos projectos o que tal não é verdade!
Ora esta alteração anunciada pela Gazeta não é pois um melhoramento, mas sim a correção de um erro de projecto que senão fosse feito, traria sérios problemas à circulação automóvel.
Mas o que conta é o título da Gazeta ao que parece, uma maneira "cor de rosa" de anunciar os erros deste executivo camarário... Coincidência ou não?

sábado, 14 de junho de 2014

8º Artigo "Pela sua saúde..." - Exposição Solar: PROTEJA-SE!



Artigo publicado no Jornal das Caldas de 11/06/2014

A pele é o órgão mais extenso do corpo e tem como principais funções proteger do calor, da luz, dos ferimentos e das infecções e ajuda a controlar a temperatura do corpo, para além de armazenar água e gordura. Apesar de nos proteger, quando exposta ao Sol por períodos prolongados ou nas horas de maior calor, rapidamente surge o escaldão, que nada mais é, uma queimadura solar. Mas para além das queimaduras solares, o aumento do número de novos casos de cancro da pele está relacionado com a maior exposição às radiações solares ultravioletas. As radiações ultravioletas (UV) são responsáveis por muitas doenças, do cancro da pele às cataratas, passando pela diminuição das defesas do organismo.
Nos dias de verão que se aproximam, estas condições de exposição às radiações UV aumentam exponencialmente, sendo as crianças um dos grupos mais susceptíveis aos efeitos nocivos destas radiações uma vez que a espessura da pele é menor e o seu sistema imunitário, responsável pela defesa do organismo, ainda não está completamente funcional. Estudos têm comprovado que uma maior exposição solar na infância corresponde um maior risco de cancro de pele na idade adulta. Daí a importância de prevenir a exposição solar excessiva nas crianças. Mas os adultos também devem estar atentos e não “abusar” da exposição solar.
O cancro de pele pode ser fatal e tem aumentado muito a sua incidência em Portugal, contudo tem elevadas taxas de cura quando diagnosticado e tratado nas fases iniciais. É uma doença praticamente evitável se existirem os cuidados adequados de protecção da pele. Nesse sentido, devemos ter em conta: evitar a exposição solar entre as 11 e as 17 horas, nas horas de maior calor, procurar as sombras e os locais frescos, usar um protector solar adequado ao seu tipo de pele e vestir roupas claras e chapéu. Depois de um dia de praia, não esquecer de hidratar bem a pele com um creme hidratante e muito importante, beber bastante água, para manter todo o corpo hidratado, pois com o calor, perdemos maior quantidade de água!
Para além dos cuidados de protecção à pele, não esquecer que proteger os olhos também é importante. Podem ocorrer sintomas, como as cataratas, como resultado de danos gradualmente acumulados nas proteínas do olho e desenvolvimento de degeneração macular relacionada com a idade – quando a região macular do olho (o centro da retina) se deteriora. Os óculos de sol, por si só, não bloqueiam todos os raios UV, porque a luz solar continua a poder atingir os seus olhos pelos lados dos óculos, contudo se estes possuírem um filtro UV, este impedirá que a maioria dos raios prejudiciais entre nos seus olhos e provoque lesões.
De salientar que não só quem se expõe ao sol na praia tem o risco aumentado de desenvolver cancro de pele! Também quem desenvolve a sua actividade profissional exposto ao sol, deve proteger-se. Agora vem uma altura do ano em que o sol vai brindar-nos com a sua companhia por isso convém não descurar todas as formas de protecção e lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!



Enf. Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt
 
 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Partilhas!

In Jornal das Caldas 28/05/2014
 
Partilhar aquilo que sabemos, receber os conhecimentos dos outros, refletir naquilo que aprendemos, crescer e evoluir na nossa forma de pensar... Há algo mais gratificante? 

sábado, 26 de abril de 2014

7º Artigo "Pela sua saúde..." - Hidrate-se!


Os dias quentes estão a chegar e com eles a necessidade acrescida de nos mantermos hidratados!
A água é o principal constituinte do organismo sendo essencial para a nossa vida e sobrevivência. Representa 52 a 66% do peso do corpo, dependendo de vários factores, como da idade, do sexo e da quantidade de gordura corporal. Por exemplo, um homem médio de 70 kg e 45 anos contém cerca de 42 litros (60%) de água no organismo.
É a capacidade da água em criar ligações com outras moléculas (pontes de hidrogénio), modificando a sua conformação espacial em solução e as suas propriedades que a tornam vital para o funcionamento do nosso corpo. A água desempenha inúmeras funções no nosso organismo, nomeadamente serve de meio de transporte de nutrientes para as células e de substâncias tóxicas para fora do corpo, permite a excreção de produtos resultantes do metabolismo, através dos rins onde são libertadas as substâncias estranhas que o corpo não necessita. Serve de solvente onde se dão todas as reacções e regula a temperatura corporal. Quando o corpo está excessivamente quente, aumenta substancialmente a transpiração. Ao suarmos, a água que existe no suor evapora-se à superfície da pele, produzindo diminuição da temperatura corporal. Outra função da água é participar em reacções enzimáticas, facilitando a digestão, por exemplo.
Mas porque razão temos de beber água constantemente? Esta necessidade é uma consequência das perdas de água que diariamente ocorrem através da transpiração e excreção, perdas essas que têm de ser repostas, para que se mantenha um equilíbrio na quantidade de água do organismo, para garantir o seu bom funcionamento.
Quando perdemos líquidos, a quantidade de sódio mantém-se constante, mas passa a estar dissolvido numa menor quantidade de água no nosso sangue. Diz-se que a concentração de sódio aumentou. Ao perceber este aumento, o cérebro ordena a produção de determinadas substâncias que fazem aparecer no organismo a sensação de sede. Quando aparece esta sensação de sede, procuramos água para satisfazer as necessidades hídricas. Convém salientar que quando esta sensação surge, o nosso organismo já necessita de água a algum tempo, por isso é importante beber água, mesmo que não tenhamos sede.
A quantidade de água necessária para evitar a desidratação depende da água que é perdida pelo organismo. Em condições normais, o homem necessita, em média, de 2 a 3 litros de água por dia. Os sumos e refrigerantes, embora frescos e por conterem água na sua composição, apenas disfarçam a sede momentaneamente, devido a grandes quantidades de açúcares que apresentam, aumentando ainda mais a desidratação. A melhor forma de se manter hidratado é a ingestão de água ou então chá, sem açúcar.
Nos dias de calor que se avizinham, mantenha-se hidratado, ingerido 1,5 a 2 litros de água diariamente e lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida! 

Enf. Miguel Miguel

Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt

quarta-feira, 12 de março de 2014

6º Artigo "Pela sua saúde..." - Ligar 112 - Emergência


Em caso de doença súbita ou acidente deve ligar de imediato 112. Este é o número europeu de emergência, sendo comum, para além da saúde, a outras situações tais como incêndios, assaltos ou roubos. As chamadas efectuadas para o 112 são atendidas, em primeira linha, por uma Central de Emergência da PSP que apenas canaliza para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM as chamadas que à saúde digam respeito. Compete ao CODU a coordenação e accionamento dos diversos tipos de ambulância (de socorro/emergência médica, suporte imediato de vida, transporte inter-hospitalar pediátrico), motas de emergência, viaturas médicas de emergência e reanimação e helicópteros de emergência médica. O accionamento destes meios de emergência é realizado de acordo com os sinais e sintomas que a vítima apresenta no momento da chamada para o CODU. Assim, sempre que do ponto de vista clínico se justificar, o INEM envia os meios de emergência necessários para a resolução de situações que indiquem que a vítima corre perigo de vida. O tipo de meio a enviar é seleccionado de acordo com: a situação clínica das vítimas, identificada por um algoritmo de triagem específico, a proximidade do local da ocorrência e a acessibilidade ao local da ocorrência.
Esta chamada é gratuita e está acessível de qualquer ponto do país, 24 horas por dia. É fundamental facultar toda a informação que lhe for solicitada de forma simples e clara para permitir uma rápida e eficaz resposta:

·         O tipo de situação (doença, acidente, parto, etc.);

·         O número de telefone do qual está a ligar;

·         A localização exacta e, sempre que possível, com indicação de pontos de referência;

·         O número, o sexo e a idade aparente das pessoas a necessitar de socorro;

·         As queixas principais e as alterações que observa;

·         A existência de qualquer situação que exija outros meios para o local, por exemplo, libertação de gases, perigo de incêndio, etc.
As perguntas feitas pelos profissionais dos CODU são muito importantes para a actuação do INEM, pois visam determinar qual o tipo emergência e o meio de socorro mais adequado para dar resposta à situação em questão. Depois de realizada a triagem da situação, os operadores dos CODU indicam a melhor forma de proceder, enviando se necessário, os meios de socorro adequados. Desligue o telefone apenas quando o operador indicar.
Lembre-se que as chamadas desnecessárias sobrecarregam o sistema, pondo em perigo de vida aqueles que realmente precisam de ajuda imediata. O INEM alerta para esta falta de civismo, que prejudica assistência a quem precisa. Diariamente uma média de 21 ambulâncias são enviadas para situações de emergência que simplesmente não existem. Por isso é importante rentabilizar os recursos ligando 112, realmente quando se justifique, dando o máximo de informação possível para que a resposta seja rápida e eficaz. Com a colaboração de todos podemos salvar vidas! 
Enf. Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt

sábado, 15 de fevereiro de 2014

5º Artigo "Pela sua saúde..." - Enfarte Agudo do Miocárdio

In Jornal das Caldas - 12/02/2014

O enfarte agudo do miocárdio (EAM) ocorre quando a obstrução de uma artéria coronária (artérias presentes no coração) interrompe a circulação de sangue com nutrientes e oxigénio a uma região do coração. Se a circulação for interrompida durante alguns minutos, o músculo cardíaco é destruído, levando à morte dessa zona do coração. A interrupção do fluxo sanguíneo é causada frequentemente pela formação de um coágulo (ou trombo) sanguíneo no interior de uma das artérias coronárias. Geralmente, a artéria já está parcialmente estreitada por ateroesclerose que não só diminui o fluxo de sangue, mas também faz com que as plaquetas se tornem mais aderentes e isso aumenta ainda mais a formação de coágulos.
Embora a idade acima dos 55 anos possa ser um factor de risco, especialmente nas mulheres na menopausa, existem um conjunto de factores de risco controláveis que influenciam a ocorrência de um EAM, tais como o colesterol alto, a hipertensão arterial, o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo, a diabetes e o uso de drogas.
O sintoma mais importante e típico do enfarte é a dor précordial (ver características no esquema). Frequentemente essa dor é acompanhada por náuseas, vómitos, suores, palidez e sensação de morte iminente. A duração geralmente é superior a 20 minutos. Dor com as características típicas, mas com duração inferior a 20 minutos sugere angina de peito, onde ainda não ocorreu a morte do músculo cardíaco. Cerca de duas em cada três pessoas que têm enfarte referem ter tido angina de peito intermitente, falta de ar ou fadiga poucos dias antes. Os episódios de dor podem tornar-se mais frequentes, inclusive com um esforço físico cada vez menor. A angina pode acabar num EAM, muitas vezes servindo de sinal de alerta. Apesar destes sintomas, uma em cada cinco pessoas que sofrem um EAM até têm sintomas ligeiros ou mesmo nenhum. Pode acontecer que este EAM silencioso só seja detectado algum tempo depois, ao efectuar-se um electrocardiograma (ECG) por qualquer outro motivo.
Um EAM é uma urgência médica. Quanto mais cedo for detectado, maior será a probabilidade de sobrevivência. Qualquer pessoa que tenha sintomas que sugiram um EAM deverá ligar rapidamente 112 e descrever os sintomas. Quanto mais rápida for a resposta, menos músculo cardíaco fica afectado implicando um melhor prognóstico.
O tratamento passa pela administração de fármacos que vão controlar a sintomatologia e destruir o coágulo que está a provocar a obstrução. Poderá ser necessária uma angioplastia, cirurgia que permite recuperar a artéria obstruída.
A reabilitação cardíaca é uma parte importante no pós-EAM. Salvo complicações, os doentes com EAM, melhoram progressivamente e podem, passados 2/3 dias, sentar-se, fazer exercícios passivos, caminhar até ao banho e fazer trabalhos leves. Nas 3 a 6 semanas seguintes, a pessoa deverá aumentar a actividade e se não se verificar falta de ar nem dor no peito, as actividades normais podem ser retomadas completamente.
Lembre-se sempre que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!

Enf. Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt
 
 
 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A promoção da saúde...

Decorreu no passado dia 31 de janeiro a primeira sessão de educação para a saúde que teve como tema a Doença de Alzheimer. Fazendo parte do plano de actividades para 2014 da Associação MVC - Movimento Viver o Concelho, estas sessões irão ocorrer todas as últimas sextas-feiras de cada mês, ao longo do ano.
Para mim é um enorme prazer poder contribuir para capacitar os cidadãos a agir sobre o seu estado de saúde. Um dos meus eixos de intervenção é sem dúvida a promoção da saúde e poder estar neste projecto não só é uma experiência enriquecedora, como constitui-se um momento de partilha e reflexão. Só uma sociedade conhecedora dos problemas, neste caso relacionados com a saúde, pode alterar os seus comportamentos contribuindo para a melhoria e adopção de estilos de vida saudáveis. De salientar que estas sessões vão de encontro às necessidades dos cidadãos, uma vez que quem decide o tema do mês seguintes, são os participantes da sessão, tendo ficado decidido que a próxima sessão, a ocorrer no próximo dia 28 de fevereiro, terá como tema a Diabetes!
Também a escrita mensal de um artigo de opinião sobre saúde, no Jornal das Caldas, intitulado "Pela sua saúde...", tem contribuído para este paradigma da promoção da saúde que sempre fez sentido ser uma aposta, mas que nem sempre é valorizado por isso, a começar pelo poder local que devia ter como estratégia obrigatória.
Com estes dois modos de intervir vou desempenhando o meu papel na promoção da saúde, eixo de intervenção na sociedade que tanto defendo, fazendo-o de forma voluntária e sem qualquer remuneração para tal. Acredito que dando um pouco de nós, podemos fazer muito pelos outros e como já disse muitas vezes, estou a fazer a minha parte, não só como enfermeiro, profissional altamente responsável nas questões da promoção da saúde, mas também e acima de tudo como cidadão! Se cada um de nós desse um pouco de si à sociedade...
 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Duas críticas ao Orçamento Participativo

In Jornal das Caldas, 29/01/2014
 

O Orçamento Participativo (OP) 2014 em Caldas da Rainha entrou na fase de apreciação das propostas concorrentes. Este mecanismo de participação da sociedade civil na gestão orçamental da Câmara Municipal, dentro de uma verba definida, no caso das Caldas da Rainha no valor de 150000 euros, está na sua segunda edição. Muitas Câmaras Municipais ao longo do país têm apostado nesta opção de participação dos cidadãos, mas em Portugal ainda estamos muito aquém da verdadeira importância deste mecanismo. Os países da América Latina fazem dos OP uma prática corrente na forma de governação. Em Portugal só a partir dos anos 80 ocorreram as primeiras experiências e nas Caldas da Rainha, só em 2012 acontece o primeiro OP, com alguns constrangimentos. Ainda hoje algumas propostas não avançaram, outras dão o ar da sua graça por estes dias!
Nesta edição a Câmara Municipal de Caldas da Rainha definiu que a propostas seriam apenas de investimento, recorrendo também à plataforma online como meio de submeter propostas, ainda que esta opção online fosse limitativa apenas com espaço para o título e descrição da proposta, sem a possibilidade de carregar a proposta em formato digital. Contudo há pelo menos dois aspectos que considero menos positivos. Mais uma vez critico a falta de divulgação e informação por parte da Câmara Municipal e neste caso do OP. Apesar de divulgado no site da Câmara Municipal, teve poucas honras na comunicação social local. Temos dois semanários que cobrem a actualidade do concelho. A divulgação semanal, não apenas da forma institucional, mas de uma forma apelativa explicando em que consiste e como se processa seriam meios de atingir mais cidadãos que por essa ausência desconhecem em que consiste um OP e a sua existência. Temos também na nossa cidade painéis digitais de informação, um junto à Câmara Municipal e outro junto a uma das entradas da cidade, onde considero importante fazer este tipo de divulgação.
A pouca divulgação que considero ter existido, revela a pouca importância que o executivo camarário dá a este mecanismo de participação dos cidadãos. Mas este desinteresse também foi visível na ausência do executivo camarário, apenas representado pelo vereador Hugo Oliveira, responsável pelo OP. Apesar de convidados não puderam estar presentes na Assembleia Participativa, no passado dia 22, onde se deram a conhecer as propostas dos cidadãos para o concelho. Certamente as agendas de cada um continham assuntos mais importantes do que ouvir as propostas dos cidadãos para a sua cidade e para o seu concelho, mas de prioridades de cada um não tenho que falar, mas sim criticar a postura de quem tem o poder de gerir uma autarquia e ignora aquilo que os cidadãos propõem!
Felizmente as propostas, mais de 20, são interessantes e embora algumas tenham de ser ajustadas às normas do OP vêm contribuir em muito para uma melhor cidade e concelho. Mas acredito ainda que poderiam ser muitas mais se a divulgação tivesse atingido outras dimensões e o executivo local desse a devida importância às propostas de construção de um concelho participativo e à medida de todos os cidadãos!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Estou confuso...

In Jornal das Caldas de 22/01/2014
 
Estou confuso ou será que nos querem confundir? A pergunta impõe-se a meu ver!
O executivo camarário reuniu-se no passado dia 17 com o Conselho de Administração do CHO, na pessoa do Dr. Carlos Sá, para se inteirar do que se está a passar no Centro Hospitalar e afinal, pelos dados divulgados, está tudo bem!
Nas declarações dadas ao Jornal das Caldas, Tinta Ferreira ficou satisfeito com os resultados positivos apresentados pelos elementos do Conselho de Administração, sublinhando que “a autarquia vai ter uma posição de reivindicar junto do Ministério da Saúde que dê um maior contributo financeiro para que se possa melhorar ainda mais e com maior qualidade”.
Bem daqui emergem algumas questões:
  • O que dizer do descontentamento de todos face ao CHO, nomeadamente ao despedimento dos enfermeiros, às questões dos médicos da urgência, às demissões de algumas chefias, aos tempos de espera na urgência e falta de condições?
  • Que dizer do mau estar dentro do Hospital das Caldas e do medo instalado por parte dos profissionais?
  • Tinta Ferreira fica satisfeito com os dados apresentados e fica mesmo descansado? O que se tem passado ultimamente é pura fantasia?
  • O pelouro da saúde na Câmara Municipal, pela primeira vez criado, ao cuidado de Maria da Conceição, continuará a ser fantasma ou limita-se a ser representado através da fotografia da vereadora no Jornal?
  • A Saúde nas Caldas limita-se ao CHO?
  • O Hospital Termal, de resolução urgente antes das eleições a doente paliativo internado em hospital de agudos (que é como quem diz, empurra para ali e ninguém quer saber)?
  • Que podemos esperar para os próximos meses?
Alguém me sabe esclarecer ou é melhor continuar confuso sem questionar que me querem confundir?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

4º Artigo "Pela sua saúde..." - O Acidente Vascular Cerebral

In Jornal das Caldas, 22/01/2014
 

Sendo uma das maiores causas de morte em Portugal, o acidente vascular cerebral (AVC) não só mata, como é responsável por provocar incapacidades na pessoa, limitando a sua autonomia e aumentando o seu grau de dependência.
O AVC caracteriza-se pela diminuição súbita do aporte de sangue no cérebro e pode acontecer por dois mecanismos. Quando existe uma obstrução de uma artéria cerebral, impedindo a passagem do sangue, o que se denomina de AVC Isquémico, ou então quando uma artéria cerebral rompe, acabando o sangue por provocar uma hemorragia local, denominando-se um AVC Hemorrágico. Os dois tipos de AVC’s causam sintomas imediatos e que facilmente podem ser indicativos do diagnóstico, nomeadamente dificuldade súbita em mexer, perda da sensibilidade ou dormência de uma perna ou braço ou ambos de um dos lados do corpo, desvio da boca para um dos lados, dificuldade em falar e perda súbita de visão. Estes sintomas podem ser discretos ou mais intensos consoante a gravidade e extensão da lesão provocada pelo AVC, contudo poderá ocorrer a reversão completa dos sintomas em menos de 24 horas e neste caso, estamos perante um Acidente Isquémico Transitório (AIT), ou seja, ocorreu uma diminuição do aporte de sangue no cérebro temporariamente. Os AIT’s devem ser encarados como um sinal de alarme que algo não está bem e deve ser vigiado.
São inúmeros os factores que contribuem para a ocorrência de um AVC, sendo a maioria deles controláveis. Não podemos mudar a genética, o sexo, a idade, nem os antecedentes familiares. Contudo controlar doenças que aumentam o risco de ocorrer um AVC, como a diabetes, o colesterol alto, a hipertensão arterial, arritmias e insuficiência cardíaca, fazer atividade física regular, manter uma alimentação saudável e evitar fumar, são factores controláveis que devem ser tidos em conta.
O tratamento do AVC Isquémico passa por medicação trombolítica para destruir o coágulo que impede a passagem do sangue, já no AVC Hemorrágico, o tratamento pode implicar cirurgia para extracção do sangue, remover o coágulo que possa ter causado a ruptura e aliviar o excesso de pressão dentro do cérebro causado pela hemorragia, bem como o uso de medicamentos para tratar a pressão arterial elevada, crises convulsivas ou infeções.
Quanto mais precoce for a identificação dos sintomas e início do tratamento menos graves serão as sequelas ou até mesmo a morte que pode ser evitada. O processo de reabilitação pode ser longo, dependendo das características do próprio AVC, da região afetada, da rapidez de atuação e do apoio que a pessoa tiver. O AVC é uma doença que pode provocar alterações profundas na vida da pessoa, da sua família e das pessoas que dela cuidam. A pessoa, antes totalmente funcional, pode tornar-se totalmente dependente física e financeiramente de seus cuidadores. Uma vez acamada, pode desencadear outras complicações, como úlceras de pressão e pneumonia.
Lembre-se sempre que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!
 
 
Enfermeiro Especialista
Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt