quinta-feira, 5 de junho de 2014

Incluir a Inclusão?

"(...) Gostaria de realçar dois aspectos afirmativos que pertencem a esta arquitectura de “pertença” do conceito de inclusão: o primeiro é que estar incluído é antagónico a estar excluído. Quer dizer que a inclusão se constitui antes de mais como uma trincheira de combate à iníqua e epidémica exclusão que existe nas nossas sociedades. Exclusão devida à desigualdade social, às condições de deficiência, exclusão justificada pela inteligência, pelo dinheiro, pelo nascimento e até pelo género. Inclusão é pois, e antes de mais, o oposto, o antídoto e a convocatória para lutar contra a exclusão. Em segundo lugar, “estar incluído” é ser bem-vindo aos serviços, instituições, grupos e estruturas que podem interessar ao desenvolvimento, à participação, à cidadania e à actividade humana de cada pessoa. E aqui existe um enorme campo de progressão que as estruturas sociais têm de fazer para que cumpram a parte que lhes compete na inclusão. Precisamos que as pessoas não sejam barradas por preconceitos, por barreiras, por atitudes afectadas, pela defesa patética dos valores da instituição à custa dos valores das pessoas. Precisamos que a inclusão esteja na linha da frente da missão que as estruturas da nossa sociedade têm que concretizar.
Inscrever a inclusão nas prioridades da missão das instituições não é mais do que regressar à verdadeira causa pelas quais elas foram criadas. Vejamos exemplos: quando se criaram as escolas não foi dito, por exemplo, que elas deveriam ser só para alunos sem deficiência; quando se criaram os hospitais não se disse que eles eram só para quem tivesse dinheiro; quando se criaram os transportes públicos até lhes foi dado o nome de “omnibus” (“para todos”). Portanto, pensar em inclusão é “limpar” todas as pequenas alíneas, atitudes, normas e condicionamentos que impediram perversamente que as instituições sociais cumpram aquilo para que foram criadas."
 
David Rodrigues
Professor Universitário
Presidente da Pró-Inclusão
 
Muito existe por fazer, muitas arestas para limar... Falar de inclusão é bonito e actual, mas muitas vezes ficam por meras intenções e pouco mais que isso! Existe a vontade, mas na prática continuamos no dia a dia a atropelar esta coisa da Inclusão! Mas uma sociedade que não é inclusiva, não é digna de ser uma sociedade, porque não absorve e permite relações sociais em si, tal como é natural ocorrer nos cidadãos sem deficiência!
Nas Caldas da Rainha, aguarda-se o levantamento dos erros e barreiras arquitectónicas que está a ser efectuado para que possamos ter uma cidade mais inclusiva e para todos! Mas também nunca consegui perceber como se pode avançar com um estudo destes sabendo o estado actual da cidade e do caos instalado com as obras de Regeneração Urbana que convinhamos, nalgumas situações não se adequam a estas questões da inclusão... como podemos estar a fazer obras e não contemplar estas questões? Enfim aguardemos pelos resultados!
 

terça-feira, 3 de junho de 2014

A Saúde de Abril!

 
Celebramos o 25 de Abril! Quarenta anos volvidos depois do fim de um regime autoritário, pobre em direitos e participação dos cidadãos, palavra estranha no dicionário do Estado Novo. Com a bravura dos militares construíram-se ideais democráticos, ideais únicos hoje ainda alguns por conquistar! As portas que Abril abriu são as mesmas que hoje permanecem entre abertas! Quarenta anos depois, ainda queremos construir e lutar por uma democracia ideal, embora a sua perfeição compadeça de utópico.
Mas nestes 40 anos existiram marcos importantes na história de um país que dava os primeiros passos na liberdade. Um deles, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi uma conquista do 25 de Abril pois só a partir desta data surgem as condições políticas e sociais que vão permitir a sua criação. Na nova constituição de 1976, o artigo 64.º dita que todos os cidadãos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. Esse direito efectiva-se através da criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação, bem como uma racional e eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país.
Só em 1979, com a Lei n.º 56/79, de 15 de Setembro, é criado o SNS, no âmbito do Ministério dos Assuntos Sociais, enquanto instrumento do Estado para assegurar o direito à protecção da saúde, nos termos da Constituição. O acesso é garantido a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica e social, bem como aos estrangeiros, em regime de reciprocidade, apátridas e refugiados políticos. Este SNS envolve todos os cuidados integrados de saúde, compreendendo a promoção e vigilância da saúde, a prevenção da doença, o diagnóstico e tratamento dos doentes e a reabilitação médica e social. Define que o acesso é gratuito, mas contempla a possibilidade de criação de taxas moderadoras, a fim de racionalizar a utilização das prestações.
O SNS teve impactos muito positivos ao nível dos indicadores de mortalidade infantil, da mortalidade perinatal e na esperança de vida. No que diz respeito à sua eficácia, permitiu cobrir aproximadamente 100% da população com cuidados de saúde para o qual contribuíram muito o surgimento dos Centros de Saúde.
Mas se este SNS considerado exemplar por muitos países do Mundo que ainda hoje não possuem um, nos últimos anos tem demonstrado estar doente e a incapacidade do país de se auto financiar e uma eficiência/eficácia que tem-se demorado a conquistar, têm contribuído para um acumular de défice e saldo negativo que em muito tem prejudicado a sua subsistência.
Hoje quando precisamos de cuidados de saúde somos confrontados com inúmeras questões, desde taxas “pesadas” a falta e racionamento de recursos, desde o rácio desproporcional profissional de saúde/utente, à reorganização das unidades hospitalares. Inúmeras são as notícias que nos últimos tempos preenchem a comunicação social, entre mortes a encerramentos de serviços.
Caldas da Rainha não tem fugido à regra e se alguns anos atrás era detentora de um Centro Hospitalar fortíssimo com respostas de saúde importantes que asseguravam cuidados de saúde a toda a população e do qual fazia parte um Hospital Termal, único no país e o mais antigo do Mundo em funcionamento, hoje o futuro do mesmo Hospital Termal é incerto e o forte Centro Hospitalar expandiu-se, agregando o Hospital de Torres Vedras. Uma maior área de influência, maior população abrangida e serviços centralizados numa ou noutra unidade! Racionalizou-se os serviços mas a população aumentou e hoje Caldas da Rainha tem um serviço de Urgência que não consegue dar resposta aos utentes que a ele acorrem e não tem camas suficientes para os internamentos.
Por isso considero que Abril abriu as portas da Liberdade, mas o que fizemos com ela, ainda está longe do seu objectivo! Se o SNS foi uma conquista de Abril, oferecido pela Liberdade, muito há a fazer para o libertar hoje dos erros cometidos no passado, para conquistar o futuro! Viva a Liberdade, viva à Saúde que Abril nos deu! Mas não a deixemos adoecer…
 
Este texto foi o meu contributo para a edição d'O Colibri
Edição Especial "40 anos de Democracia"

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Mais buracos...

Depois de alguns meses atrás ter identificado alguns dos muitos buracos que haviam pela cidade, pondo em risco a segurança e a integridade de quem circula pelas Caldas e depois de terem sido "remendados" com um pouco de alcatrão, eles voltam a dar o ar da sua graça novamente e novamente apelo a que rapidamente sejam solucionados! Saliento que na altura fiz até uma intervenção na Assembleia Municipal (pode ser lida aqui) a alertar para o estado de degradação das ruas da cidade...
Alguns pontos críticos:
 
Rua Henrique Sales... a parte final da rua que não foi intervencionada começa a ficar com remendos a mais! Creio que não faz sentido a primeira parte da rua ter sido intervencionada no âmbito da regeneração urbana e a parte final estar neste estado, cada vez mais degradada e remendada!
 


Rua do Sacramento no cruzamento com a Rua Henrique Sales... Depois de em fevereiro terem sido "remendados" (aqui), esta zona já está a precisar de nova intervenção:


 
Cruzamento da Rua da Alegria com a Rua Sebastião de Lima... é um grande, grande buracão que muitas vezes só se vê, quando se sente o estrondo na suspensão do carro. Tendo em conta que a Rua da Alegria é uma das principais artérias da cidade com mais trânsito, urge a reparação destes buracos!
 
 
Estes são apenas alguns exemplos de outros tantos espalhados pela cidade que deviam ter uma rápida resolução, não deixando avançar a degradação e minimizando possíveis estragos humanos e materiais que possam surgir.
Também sei que a divulgação destes "buracos" aqui no blog, implicam a sua rápida resolução! Sempre foi assim! Todos os problemas que publico aqui no blog, acabam por ter uma rápida resolução, mais rápido ainda do que se informasse os serviços municipalizados! Por isso aguardemos a rápida resolução :)
As fotos foram tiradas hoje, dia 02/06, pelas 9:15!
 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Pela sua Saúde...semanal #8


Partilhas!

In Jornal das Caldas 28/05/2014
 
Partilhar aquilo que sabemos, receber os conhecimentos dos outros, refletir naquilo que aprendemos, crescer e evoluir na nossa forma de pensar... Há algo mais gratificante? 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Finalmente?


 
Será que finalmente estes contentores que não servem para aquilo que foram concebidos, tendo na maioria das vezes de se colocar os sacos ao seu redor pela impossibilidade de colocar dentro deles, vão ficar a funcionar na Avenida Primeiro de Maio? É que apesar de instalados há meses, continuam selados por possível avaria, mas pelo que parece, hoje pelas 13 horas irão ser intervencionados! Curioso como as estruturas que foram colocadas novas, já dão problemas mesmo sem estarem a funcionar! E curioso é que a empresa que forneceu estes contentores, a TNL, tenha na sua página oficial a seguinte imagem:
 
 
Bem, harmoniosos podem ser estes contentores, mas funcionais jamais e a harmonia é subjectivo pois quando as pessoas têm de deixar o lixo fora por os sacos maiores não caberem pela entrada dos contentores, eu chamaria tudo menos harmonia...
 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

É recorrente!!!

Rua do Sacramento, dia 20, 21 horas! É claro que alguém andou a fazer limpezas em casa e o seu conceito de cidadania e dever cívico está um pouco desgastado, mas ainda assim, é impossível colocar estes sacos dentro destes dispositivos, pelo que mais uma vez afirmo, são inadequados e não servem para nada. Já aqui e aqui tinha referido este problema e ele repete-se dia após dia! Quem passa diariamente junto destes dois contentores subterrâneos, é raro o dia que não vê sacos postos a seu lado porque não cabem pela entrada...
 Nota: O lixo foi removido hoje pelas 13:50, depois de estar todo espalhado pela chão, desde ontem à tarde! Mas hoje já tem novamente tanto lixo como ontem!
 
Aqui temos outro exemplo recorrente! Na Avenida da Independência Nacional, também é recorrente estes espectáculo visual... Um saco de maiores dimensões é impossível de colocar dentro destes contentores disfuncionais, para além de que a tampa nesta foto já nem se consegue abrir nem fechar porque lá dentro tem outro saco atravessado o que inviabiliza a sua utilização! Sendo este problema recorrente o que vai fazer a Câmara Municipal para resolver este problema? Era conveniente saber quem escolheu este modelo completamente inútil e desadequado, para poder ser responsabilizado!


terça-feira, 20 de maio de 2014

As festas da cidade...

Mais um mês de Maio que passa e mais umas festas da cidade que este ano excederam as expectativas! Só posso estar contente pelas visitas que a cidade teve, o reboliço do comércio aberto até mais tarde com inúmeras actividades, numa das melhores promoções da Associação de Comerciantes. A Feira do Cavalo, na sua terceira edição também trouxe a vida ao Parque, trouxe animação e colocou os caldenses a desfrutar do Parque! Numa de tantas outras entidades das Caldas da Rainha, a Arte Equestre foi a rainha deste evento, colocando o concelho no mapa nacional.
Há um caminho a percorrer e espero que finalmente esse caminho comece a ser trilhado. Mas se a Feira do Cavalo, despertou a identidade da Arte Equestre, com algumas raízes nesta cidade, há muitas outras identidades a explorar, que fazendo parte da génese desta terra, têm sido descuradas... O termalismo, a cerâmica, as artes, a hortofruticultura, o comércio tradicional, e tantas outras que devem ser revitalizadas e serem uma aposta! Mais que apostarmos numa identidade, nada como sermos um concelho versátil e diversificado! Que venham grandes eventos de promoção do que melhor temos, sejam eles no Parque, sejam noutros pontos da cidade, sejam pelas freguesias! Temos o exemplo do Festival da Codorniz no Landal que tem dado grandes passos, o Festival do Marisco nos próximos dias na Foz do Arelho, o Caldas Late Night que prestes a arrancar em mais uma edição tem crescido e hoje é uma referência nas artes!
E depois quem não gostou de ver o nosso Parque na televisão? As cores, a luz, o verde, a beleza única... que outra cidade do país pode oferecer uma envolvência como as Caldas?
Mas a par destes eventos é importante avaliar também o seu impacto na economia local! Não basta dizer que a cidade foi muito visitada, se os visitantes não consumirem bens no concelho! De que serve ter muitas pessoas se depois em termos económicos não trouxer mais valias? É claro que a parte lúdica e cultural por si só são importante, mas estamos em tempos de crise e se a par da parte lúdica e cultural vierem mais valias para os caldenses tanto melhor!
Pelo que fui ouvindo a nível do comércio local não houve grande vendas, por isso é importante avaliar os investimentos que se fazem e nos ganhos em que se traduzem! As Caldas da Rainha precisam de gerar riqueza... a matéria prima existe há muito e é inesgotável, basta descobrir os "artesãos do desenvolvimento".
Parabéns a todos os intervenientes!
 
 
P.S. - Não posso  deixar de referir que continuo a não concordar com a localização das Largadas de Touros! O Parque é um bem precioso e não pode ser negligenciado com buracos e cimento! Existem muitas outras alternativas na cidade e inclusive mesmo se calhar com mais benefícios para o comércio... fechar uma rua da cidade, como se faz por Portugal fora, junto ao comércio local, e este aberto durante esse período quiçá traria mais valias do que concentrar tudo no Parque! É uma ideia que fica no ar, mas com os pés bem assentes na terra continuarei sempre contra a Largada de Touros no Parque!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Alguma limpeza...


Na revista municipal deste ano, vem contemplada a limpeza e remoção dos graffiti e rabiscos que inundaram a cidade no ano passado e anos anteriores! Reconheço que muito se tem feito. A presença de uma brigada de funcionários municipais afectos à resolução deste problema tem demonstrado alguma eficácia, alguma...
Efectivamente esta brigada, pinta por cima os rabiscos com tinta branca, deixando à mercê do vandalismo, uma nova "tela" prontinha a ser utilizada! E claro, não era de estranhar que as paredes intervencionadas não estejam novamente a ser riscadas... Um trabalho verdadeiramente ingrato:
 
 Duas paredes anteriormente intervencionadas...
 
Também a vigilância por parte da PSP tem contribuído para dissuadir estes actos e inclusive pelo que sei com alguns "frutos"... Mas é preciso mais!
Do trabalho inglório do pinta e repinta rabiscos à vigilância policial, muito há a fazer... acredito que o envolvimento da comunidade estudantil neste problema, com distinção entre a arte urbana e o vandalismo, a sensibilização para estas questões, a disponibilização de espaços próprios para o efeito, realização de eventos onde se abordem estas temáticas, podem ser complementos para minimizar o problema, a par desta brigada para o efeito e da vigilância policial! Outras ideias surgirão com certeza, até porque esta não é a minha área, mas é a minha cidade e embora esta poluição visual, esteja em níveis baixos com as intervenções realizadas, nota-se novamente o crescimento de mais rabiscos nas paredes, depois de uns meses de tréguas...