domingo, 2 de março de 2014

Carnaval, mas pouco!

Odeio o Carnaval! Já o disse inúmeras vezes e curiosamente a maioria das pessoas com quem falo também me referem o mesmo! Não suporto uma altura do ano onde as pessoas se transformam em sei lá o quê ou algumas quiçá, transformam-se naquilo que gostariam de ser nos restantes dias do ano.
Mas este sentimento face ao Carnaval já vem muito de trás e até mesmo quando era criança, não percebia bem o que era isto do Carnaval e assustava-me!
Respeito quem gosta, respeito quem se diverte nesta época, porque afinal, gostos não se discutem, não me perguntem é no que me vou mascarar, porque máscaras não uso! Sou aquilo que sou e como sou onde tem de ser! E isto leva-me a refletir  e a pensar naqueles que se mascaram o ano todo, ocultos em disfarces criados para satisfazer e conquistar desejos e ambições! Mas se o Carnaval são 2 dias, deixai-os divertir e aproveitar que os outros restantes dias do ano dá mais trabalho em manter a máscara!
Também confesso que não percebo os orçamentos dos Carnavais ao longo do país, onde muitos deles não trazem valor acrescentado, para além da diversão de alguns! Por exemplo, aqui nas Caldas da Rainha, que valor acrescentado traz para a cidade e concelho? Ao longo dos anos descredibilizado sem nada de novo, foi perdendo emoção e hoje só diverte os próprios caldenses e pouco mais. Não traz à cidade turistas para ver o Carnaval, turistas que até almocem por cá e usufruam do comércio, que gastem o seu dinheiro por cá! Este ano apostou-se num reavivar daquilo que foi um Carnaval forte e concorrente ao de Torres Vedras. Zé Povinho e Maria Paciência renascem das cinzas, mas nem a presença na televisão contribuem para ganhos do Carnaval caldense. Carnaval que este ano desfila no meio de uma cidade destroçada e em obras de regeneração... Oxalá o Carnaval caldense também se regenere e que o orçamento apresentado valha a pena na criação de mais valias, ao invés de  servir para desfilar carros pobres e pouco criativos e mais do mesmo com os mesmos de sempre a fazer o mesmo de sempre, sempre! E não digo isto porque simplesmente não gosto do Carnaval! Digo isto porque gostava de um dia dizer que o Carnaval caldense fizesse parte dos roteiros nacionais, diferentes dos outros todos, e que fosse motivo de orgulho. Temos criativos, temos ESAD, temos capital humano, falta fazer a aposta certa! Foram gastos 85000 euros? Aguardemos o descritivo das despesas...
Boas carnavalices e que passe depressa!
 

sábado, 1 de março de 2014

Educação para a Saúde...

 
Em 1984 a Comissão Regional da Europa da Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou as metas regionais de Saúde para Todos sob a qual deveriam assentar as bases da política de saúde tendo como estratégias para se atingirem tais metas a promoção de estilos de vida saudáveis, a proteção do ambiente, a prestação de cuidados de saúde adequados e ajustados à população e a criação de medidas de suporte pertinentes a nível da pesquisa e informação. A problemática da Educação para a Saúde (EpS), como processo orientado para a utilização de estratégias que ajudem os indivíduos e a comunidade a adoptar ou modificar comportamentos que permitam um melhor nível de saúde, vem sendo objecto de uma reflexão crescente por parte de instituições, grupos profissionais e autores em artigos de literatura específica. De facto, a consecução de elevados níveis de saúde e a prevenção de mortes prematuras dependem, em grande medida, da adopção por parte dos indivíduos, grupos e comunidades, de comportamentos saudáveis. Daí a importância e o interesse actual pela EpS, que em todo o mundo se fundamenta nos seguintes aspectos:
  • A longevidade condiciona uma maior prevalência de doenças crónicas, mais ou menos incapacitantes, ligadas aos estilos de vida;
  • O aumento do stress provocado pelos diferentes contextos sociais em que vive a maior parte da população favorece uma maior incidência de acidentes e disfunções psicossociais;
  • O recrudescimento de patologias aparentemente controladas por modificações do agente causal e o aumento de comportamentos de risco (e.g. Doenças sexualmente transmitidas, DST);
É fundamental capacitar as pessoas para aprenderem durante toda a vida, preparando-se para todos os estádios do seu desenvolvimento e para lutarem contra as doenças crónicas e incapacidades (OMS, 1986). Estas intervenções devem ter lugar em vários contextos como a escola, o trabalho e as organizações comunitárias e serem realizadas por organismos educacionais, profissionais e de solidariedade social.
 
A declaração de Alma-Ata, resultante da conferência organizada pela OMS subscreveu alguns aspectos importantes entre os quais: os povos têm o direito e o dever de participar, individual e colectivamente, do planeamento e execução dos cuidados de saúde. Estabeleceu como meta de saúde para o ano 2000, que todos os povos do mundo deveriam atingir um nível de saúde que lhes permitisse levar uma vida social e economicamente produtiva e responsabilizou os governos pela saúde das suas populações. Esta declaração considerou como primeira prioridade em Cuidados de Saúde Primários (CSP) a educação sobre os principais problemas de saúde e os métodos de prevenção e controlo dos mesmos, privilegiando a informação e a EpS.
Neste sentido, os serviços de saúde devem orientar-se para a promoção da saúde, para além das suas responsabilidades na prestação de cuidados clínicos e curativos. Devem apoiar as necessidades dos indivíduos e das comunidades para uma vida saudável e abrir o diálogo entre o sector da saúde e outras áreas como a social, política, económica e ambiental.
 
Amâncio Carvalho e Graça Carvalho, in "Educação para a Saúde" (2006)
 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Sessão de educação para a Saúde - Diabetes

Este mês o tema foi a Diabetes, escolhido pelos participantes na sessão do mês passado. Mais um momento de partilha, de discussão, de bom ambiente onde falámos da Diabetes e das suas complicações. Um público maravilhoso para ouvir e escutar, aprender e saber um pouco mais sobre esta doença que tantas pessoas afecta, mas que apesar de crónica, pode ser controlada, minimizando assim as suas complicações tardias. E para o próximo mês não foi escolhido um, mas sim dois temas pelos presentes da sessão de hoje: a hiperlipidémia (colesterol e triglicéridos) e as afeções da próstata, a decorrer no próximo dia 28 de Março (última sexta-feira)! Mais um fantástico evento organizado pela Associação Movimento Viver o Concelho! Obrigado a todos!




 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Uma Foz mais limpa...

 
Eu fui e choveu mesmo antes de começarmos... Pena não ter podido ficar até ao fim, mas mesmo assim atrasei a viagem até ao Algarve para poder contribuir com a minha ajuda nesta ação necessária na praia da Foz.
Mais uma fantástica iniciativa da Junta de Freguesia da Foz do Arelho que consegue envolver a população na defesa da sua freguesia, da sua Lagoa, da sua terra.
Depois das intempéries, o lixo que o mar devolveu acumulou-se no areal da praia, junto com o lixo de quem ali passa e tem atitudes menos correctas de deitá-lo para o chão!
Perto de 50 pessoas mobilizaram-se para limpar a praia e a ação foi um sucesso com a quantidade de lixo recolhida.
Mais uma vez estou orgulhoso desta iniciativa, pela participação dos cidadãos que a troco de verem a sua praia mais limpa, mobilizam-se. Se todos nós queremos ter o direito de usufruir de uma praia limpa, temos o dever de a limpar. É bom que os cidadãos habituem-se a esta "implicância" de conceitos... se queremos ter direitos, temos de exercer os nossos deveres!
Tal como já tinha salientado noutro post aqui neste blog sobre a limpeza da zona dos bares, em Novembro do ano passado, acho curioso o envolvimento da comunidade estrangeira que em grande número acorre a estas ações, verdadeiros cidadãos que vêm na sua participação, uma forma de contribuir no melhoramento daquela que agora é a sua terra. Nós portugueses estamos ainda longe desse sentimento de pertença, daquilo que é de todos.
Sejamos todos cidadãos (no verdadeiro sentido que o conceito implica), sejamos mais participativos, cuidemos daquilo que é de todos!
Parabéns pela iniciativa! Aqui ficam algumas fotos...




 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Literacia em saúde!

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define literacia em saúde como o conjunto de “competências cognitivas e sociais e a capacidade dos indivíduos para ganharem acesso a compreenderem e a usarem informação de formas que promovam e mantenham boa saúde: é a capacidade para tomar decisões em saúde fundamentadas, no decurso da vida do dia a dia – em casa, na comunidade, no local de trabalho, no mercado, na utilização do sistema de saúde e no contexto político; possibilita o aumento do controlo das pessoas sobre a sua saúde, a sua capacidade para procurar informação e para assumir responsabilidades.
Da literacia em saúde decorrem competências, nomeadamente:
  • Competências básicas em saúde que facilitam a adopção de comportamentos protetores da saúde e de prevenção da doença, bem como o auto-cuidado;
  • Competências do doente, para se orientar no sistema de saúde e agir como um parceiro ativo dos profissionais;
  • Competências como consumidor, para tomar decisões de saúde na seleção de bens e serviços e agir de acordo com os direitos dos consumidores, caso necessário;
  • Competências como cidadão, através de comportamentos informados como o conhecimento dos seus direitos em saúde, participação no debate de assuntos de saúde e pertença a organizações de saúde e de doentes.
A literacia em saúde, segundo o relatório do Institute of Medicine of the National Academies (IOM, 2003) baseia-se na interação entre as aptidões dos indivíduos e os respetivos contextos de saúde, o sistema de saúde, o sistema de educação e os fatores sociais e culturais em casa, no trabalho e na comunidade. Assim, a responsabilidade para a melhoria dos níveis de literacia em saúde deve ser compartilhada entre vários sectores.
Vamos apostar todos na literacia em saúde?

 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Termal a definhar...

No seguimento da visita de ontem ao Hospital Termal, no âmbito da ação de reparação do vidro partido, organizada pela Comissão Cívica de Proteção do Hospital Termal e posteriormente pela divulgação neste blog/Facebook, alguém actualmente em tratamentos de fisioterapia no termal, enviou-me uma mensagem no Facebook que passo a transcrever:
 
"Oi Sr. Enfermeiro tudo bem? Devem de passar por dentro do Termal, pelo túnel para ver a miséria que está. Devem de ver que a assistente anda sem telefone há 15 dias e para fazer chamadas e falar com as colegas tem que largar o seu posto de trabalho, para se deslocar ao 2º andar ou à secretaria e isto vezes sem conta. Não há elevador e não o mandam arranjar. O espaço do balneário novo não é tão grande nem há espaço para os aparelhos... desculpa qualquer coisa mas o  grupo que hoje andou lá deveriam ver esta miséria porque o pessoal não tem condições para trabalhar e estamos nós cidadãos a pagar taxas moderadoras para isto!!! desculpa beijinho"
 
Saliento que a transcrição da mensagem aqui no blog foi autorizada pela autora que comentará/identificará se assim o quiser.
 
Voltando a esta mensagem, a veracidade da mesma não é muito difícil de comprovar. Eu mesmo, ontem enquanto estive na ação, facilmente me deparei com o elevador avariado, com uma cadeira junto à entrada do mesmo, tendo os utentes que subir as escadas até ao 2º andar seja com canadianas, seja com andarilho, seja com crianças ao colo. Também em relação ao túnel, quem esteve junto à entrada à espera da chegada do Dr. Carlos Sá, deve ter reparado que um senhor que aguardava pela fisioterapia, quando o vieram buscar para o balneário novo, optaram por levá-lo pela rua, porque pelo túnel seria mais complicado. Curioso que começava a chover.
Não estamos perante um simples caso de um vidro partido, é muito mais que isso, é toda uma negligência de um edifício que luta pelo valor incalculável que comporta. E esta falta de condições sem dúvida afecta o desempenho e profissionalismo de quem exerce ali a sua profissão que diariamente faz um esforço extraordinário, sentimento partilhado também no Hospital de Agudos. Mais uma vez saúdo a ação organizada pela Comissão Cívica de Proteção do Hospital Termal.
Haja coragem para falar e acima de tudo, coragem para resolver os problemas!
 

A transparência ou a falta dela...

Secretismos, negociatas, cozinhados com ou sem temperos, são hoje tão frequentes no nosso país e mais grave ainda ao nível do poder local. A exigência por parte dos cidadãos de mais transparência ao nível das autarquias é uma prioridade. Os cidadãos têm todo o direito de saber o que está a ser feito, como, onde, para quê, como está a ser governado o município. Exigir mais transparência é por isso uma das maiores obrigações cidadãs.
Maria Teresa Serrenho, Presidente do MVC - Movimento Viver o Concelho, na sua excelente intervenção na última Assembleia Municipal de 11/02/2014, refere isso mesmo:
"(...) o reforço e o desenvolvimento das boas práticas democráticas na nossa terra, da transparência e clareza dos processos autárquicos e da valorização da cidadania activa e participativa de todos quantos cá residem, sem distinções nem discriminações. É preciso que todos saibam exactamente, e atempadamente, o que se passa com todos e com cada um dos assuntos relevantes para a vida da nossa comunidade, sejam eles a situação do Hospital Termal ou da Lagoa de Óbidos, o modelo de comunicação do município ou os critérios de financiamento das colectividades. (...)" 


O Índice de Transparência Municipal (ITM), promovido pela Transparência e Integridade Associação Cívica (TIAC), mede o grau de transparência das Câmaras Municipais através de uma análise da informação disponibilizada aos cidadãos nos seus web sites. O ITM é composto por 76 indicadores agrupados em sete dimensões:
  1. Informação sobre a Organização, Composição Social e Funcionamento do Município;
  2. Planos e Relatórios;
  3. Impostos, Taxas, Tarifas, Preços e Regulamentos;
  4. Relação com a Sociedade;
  5. Contratação Pública;
  6. Transparência Económico-Financeira;
  7. Transparência na área do Urbanismo.
Caldas da Rainha situa-se no 115º lugar e isso traduz alguns problemas de base desta Câmara Municipal.
Estarmos despertos para estas questões é muito importante. Não se trata de exigir nada de mais, apenas aquilo que é uma obrigação da Câmara Municipal e um direito dos cidadãos.
Lamento que as palavras do Sr. Presidente Dr. Tinta Ferreira revelem a pouca importância que a transparência tem para este executivo, ficando perplexo quando uma das sugestões era simplesmente a publicação da agenda do Presidente, para que os cidadãos saibam o que anda a fazer, prática actual em alguns municípios do nosso país. Esqueçamos isso, porque não é considerado relevante. Para os deputados municipais do PSD, na voz de António Cipriano, a existência das Assembleias Municipais, são por si só um mecanismo de transparência... Visão limitada que só revela, mais uma vez a importância que é dada a uma governação transparente.
Posto isto, só me parece adequada a seguinte música:
 
 
Santana Lopes nas Caldas da Rainha?
Bom dia Visabeira?
....

 
Governar um concelho onde os cidadãos estão sempre a intervir e pedir esclarecimentos deve ser chato, confesso, mas tal poderia ser evitado se a transparência fosse um dado adquirido. Como não o é, resta estar atento e intervir naquilo que considero pertinente, ainda mais tendo em conta que um Presidente de Câmara existe para servir os cidadãos nos seus interesses e por acaso o Dr. Tinta Ferreira não foi eleito com o meu voto, mais razões tenho ainda para pedir mais e mais e mais transparência.
Seja diáfano, Dr. Tinta Ferreira, as Caldas e os caldenses exigem!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Do contraplacado ao acrílico...

A convite da Comissão Cívica de Proteção do Hospital Termal (CCPHT), hoje participei na ação cívica que organizaram: a entrega de um vidro para colocação na janela do Hospital Termal que estava danificada. Quem lá passou na semana passada observou a janela com o vidro partido com um contraplacado colocado afim de "desenrascar" o problema, contudo foi colocado aquilo que parecia um vidro, mas não era, porque as aparências iludem. O que foi colocado foi um acrílico que nem sequer tinha as medidas exactas para cobrir toda a área danificada e mais uma vez o desenrasca levou à colocação de um plástico por baixo, para não ficarem fendas.

Pode-se ver o "baço" do acrílico e o plástico por baixo
 
Face a isto a CCPHT, através deste acto simbólico de entrega de um vidro mandado fazer com as medidas exactas, contribuiu para alertar para o estado actual de degradação e negligência que existe no Património Termal e o desleixo total naquele que é o único Hospital Termal do país e o mais antigo em funcionamento no Mundo.
O Presidente do Conselho de Administração do CHO, Dr. Carlos Sá, presente durante o evento alegou que desconhecia o estado da janela, mas que iria averiguar quem tinha sido o responsável pela "reparação" e que apenas estávamos perante um mero caso de arranjo de um vidro, não entendendo as dimensões que este caso atingiu. Isso só revela que não se importa minimamente com aquela estrutura, não percebendo o que está em causa.
Saúdo esta iniciativa da CCPHT, que efectivamente tem tomado diligências no sentido de promover a discussão em torno do Hospital Termal e na busca de um consenso para a resolução do problema.
Lamento apenas o aproveitamento político no final, por parte dos partidos políticos presentes, preço que se paga pelo convite que lhes foi endereçado para estarem presentes nesta acção de reparação, transpondo este acto cívico que muito me agradou para uma expressão mais política da situação, que não sendo menos importante, a meu ver não era necessária. Mas claro, depois das declarações de cada partido presente, pareceu-me que afinal todos defendem o mesmo, só não entendo é porque ainda não se resolveu o problema!
Mais uma vez obrigado e parabéns pela iniciativa, CCPHT!


domingo, 16 de fevereiro de 2014

AVC e Enfarte...

"A maioria dos portugueses ainda não reconhece os sintomas de enfarte e, embora quase todos afirmem que, perante um ataque cardíaco, se deve ligar o 112, menos de metade efectivamente o faz, segundo um estudo.
O trabalho elaborado por dois investigadores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa e que será apresentado nesta quinta-feira é uma iniciativa do Stent For Life, projecto europeu lançado pela European Association of Percutaneous Cardiovascular Interventions e pelo EuroPCR, presente em 10 países, sendo apoiado em Portugal pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC).
O estudo, baseado em inquéritos telefónicos a mil portugueses, concluiu que 95% dos entrevistados reconhecem que, se estiverem perante uma situação de enfarte devem ligar o número de emergência médica (112), mas apenas 38% o faz, disse Helder Pereira, responsável pela campanha "Não perca tempo, Salve uma vida". Na prática, ainda muitas pessoas optam por chegar a uma unidade hospitalar pelos próprios meios, ligar a um familiar ou amigo, ou desvalorizar os sintomas.
Este "contraste" entre o que respondem e o que fazem na realidade os inquiridos, também está patente no conhecimento que demonstram ter dos sintomas de um enfarte: 77% afirmam saber que enfarte e Acidente Vascular Cerebral (AVC) não são a mesma coisa, no entanto 25,5% destes não sabem destacar as diferenças e muitos confundem os sintomas do enfarte com os do AVC, acrescentou. Sobressai do estudo o facto de perto de um quarto dos inquiridos ter respondido que "sim" ou que "não sabia" à pergunta "Acha que o enfarte e o AVC são a mesma coisa?".
Juntando estes com os 25,5% que sabiam que não se tratava da mesma doença, mas que não sabiam dizer as diferenças, conclui-se que metade dos inquiridos não distingue efectivamente um enfarte de um AVC. "Outro dado que se destaca neste estudo é o facto de um terço dos inquiridos não saber ou considerar que o enfarte é uma doença do sexo masculino", afirmou Helder Pereira.
Conhecimento tem estagnado
No conjunto dos resultados deste estudo e dos dados da performance do enfarte em Portugal conclui-se pela importância de manter a campanha, considerou o cardiologista, destacando que as pessoas ainda não interiorizaram os sintomas básicos associados a um episódio de enfarte: dor no peito - que pode surgir como aperto ou peso -, que pode irradiar para as costas, para os braços e para o pescoço, pode ser acompanhada por náuseas, vómitos e suores. No caso do AVC as náuseas e vómitos também podem estar presentes, mas a Sociedade Portuguesa de AVC resume os sintomas como os “3 F”: desvio da face, falta de força no braço ou perna, dificuldade em falar.
Questionado sobre os resultados da campanha ao longo dos últimos três anos (desde que foi lançada), Helder Pereira afirma que houve uma melhoria e depois uma estagnação: "No primeiro ano apenas 20% ligavam para o 112, agora estamos nos 38%, mas esta percentagem tem-se mantido", explicou. O objectivo a alcançar são os "80% a 90% dos países do norte da Europa", mas, para isso, é preciso, primeiro que tudo, "valorizar os sintomas, fazendo as pessoas perceberem que é preferível chegarem ao hospital e ser apenas uma má disposição ou outra coisa qualquer, do que não irem de todo".
Outro problema está ainda em algum desconhecimento do 112. À pergunta "qual o número para chamar a ambulância em Portugal", 3% (30) responderam que não sabiam, 1% (10) respondeu que era o 115 e 1% (10) respondeu que era o 118 (número das informações).
A estes 5% que, "de forma espontânea não indicaram correctamente o número de telefone" de emergência médica, foi perguntado posteriormente: "Dos seguintes números - 115, 112 ou 911 -, qual o número correto para chamar a ambulância em Portugal?". Aqui, 66% responderam que era o 112, mas 10% afirmaram ser o 115 e 7% disseram que era o 911 (número de emergência nos Estados Unidos), enquanto 17% admitiram que não sabiam."

In Jornal Público 13/02/2014
 
Infelizmente esta é uma realidade a que não podemos ficar indiferentes e por ser uma preocupação para a qual já tinha alguma consciência, os últimos dois artigos "Pela sua saúde..." que saem mensalmente no Jornal das Caldas foram exactamente sobre este dois temas. Podem aceder aos dois artigos através dos links:
 

 
Aqui fica uma tabela com as diferenças, e lembrar que o número europeu de emergência é o 112, que pelos vistos ainda nem toda a gente sabe, o que é gravíssimo!