domingo, 16 de fevereiro de 2014

AVC e Enfarte...

"A maioria dos portugueses ainda não reconhece os sintomas de enfarte e, embora quase todos afirmem que, perante um ataque cardíaco, se deve ligar o 112, menos de metade efectivamente o faz, segundo um estudo.
O trabalho elaborado por dois investigadores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa e que será apresentado nesta quinta-feira é uma iniciativa do Stent For Life, projecto europeu lançado pela European Association of Percutaneous Cardiovascular Interventions e pelo EuroPCR, presente em 10 países, sendo apoiado em Portugal pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC).
O estudo, baseado em inquéritos telefónicos a mil portugueses, concluiu que 95% dos entrevistados reconhecem que, se estiverem perante uma situação de enfarte devem ligar o número de emergência médica (112), mas apenas 38% o faz, disse Helder Pereira, responsável pela campanha "Não perca tempo, Salve uma vida". Na prática, ainda muitas pessoas optam por chegar a uma unidade hospitalar pelos próprios meios, ligar a um familiar ou amigo, ou desvalorizar os sintomas.
Este "contraste" entre o que respondem e o que fazem na realidade os inquiridos, também está patente no conhecimento que demonstram ter dos sintomas de um enfarte: 77% afirmam saber que enfarte e Acidente Vascular Cerebral (AVC) não são a mesma coisa, no entanto 25,5% destes não sabem destacar as diferenças e muitos confundem os sintomas do enfarte com os do AVC, acrescentou. Sobressai do estudo o facto de perto de um quarto dos inquiridos ter respondido que "sim" ou que "não sabia" à pergunta "Acha que o enfarte e o AVC são a mesma coisa?".
Juntando estes com os 25,5% que sabiam que não se tratava da mesma doença, mas que não sabiam dizer as diferenças, conclui-se que metade dos inquiridos não distingue efectivamente um enfarte de um AVC. "Outro dado que se destaca neste estudo é o facto de um terço dos inquiridos não saber ou considerar que o enfarte é uma doença do sexo masculino", afirmou Helder Pereira.
Conhecimento tem estagnado
No conjunto dos resultados deste estudo e dos dados da performance do enfarte em Portugal conclui-se pela importância de manter a campanha, considerou o cardiologista, destacando que as pessoas ainda não interiorizaram os sintomas básicos associados a um episódio de enfarte: dor no peito - que pode surgir como aperto ou peso -, que pode irradiar para as costas, para os braços e para o pescoço, pode ser acompanhada por náuseas, vómitos e suores. No caso do AVC as náuseas e vómitos também podem estar presentes, mas a Sociedade Portuguesa de AVC resume os sintomas como os “3 F”: desvio da face, falta de força no braço ou perna, dificuldade em falar.
Questionado sobre os resultados da campanha ao longo dos últimos três anos (desde que foi lançada), Helder Pereira afirma que houve uma melhoria e depois uma estagnação: "No primeiro ano apenas 20% ligavam para o 112, agora estamos nos 38%, mas esta percentagem tem-se mantido", explicou. O objectivo a alcançar são os "80% a 90% dos países do norte da Europa", mas, para isso, é preciso, primeiro que tudo, "valorizar os sintomas, fazendo as pessoas perceberem que é preferível chegarem ao hospital e ser apenas uma má disposição ou outra coisa qualquer, do que não irem de todo".
Outro problema está ainda em algum desconhecimento do 112. À pergunta "qual o número para chamar a ambulância em Portugal", 3% (30) responderam que não sabiam, 1% (10) respondeu que era o 115 e 1% (10) respondeu que era o 118 (número das informações).
A estes 5% que, "de forma espontânea não indicaram correctamente o número de telefone" de emergência médica, foi perguntado posteriormente: "Dos seguintes números - 115, 112 ou 911 -, qual o número correto para chamar a ambulância em Portugal?". Aqui, 66% responderam que era o 112, mas 10% afirmaram ser o 115 e 7% disseram que era o 911 (número de emergência nos Estados Unidos), enquanto 17% admitiram que não sabiam."

In Jornal Público 13/02/2014
 
Infelizmente esta é uma realidade a que não podemos ficar indiferentes e por ser uma preocupação para a qual já tinha alguma consciência, os últimos dois artigos "Pela sua saúde..." que saem mensalmente no Jornal das Caldas foram exactamente sobre este dois temas. Podem aceder aos dois artigos através dos links:
 

 
Aqui fica uma tabela com as diferenças, e lembrar que o número europeu de emergência é o 112, que pelos vistos ainda nem toda a gente sabe, o que é gravíssimo!

 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

5º Artigo "Pela sua saúde..." - Enfarte Agudo do Miocárdio

In Jornal das Caldas - 12/02/2014

O enfarte agudo do miocárdio (EAM) ocorre quando a obstrução de uma artéria coronária (artérias presentes no coração) interrompe a circulação de sangue com nutrientes e oxigénio a uma região do coração. Se a circulação for interrompida durante alguns minutos, o músculo cardíaco é destruído, levando à morte dessa zona do coração. A interrupção do fluxo sanguíneo é causada frequentemente pela formação de um coágulo (ou trombo) sanguíneo no interior de uma das artérias coronárias. Geralmente, a artéria já está parcialmente estreitada por ateroesclerose que não só diminui o fluxo de sangue, mas também faz com que as plaquetas se tornem mais aderentes e isso aumenta ainda mais a formação de coágulos.
Embora a idade acima dos 55 anos possa ser um factor de risco, especialmente nas mulheres na menopausa, existem um conjunto de factores de risco controláveis que influenciam a ocorrência de um EAM, tais como o colesterol alto, a hipertensão arterial, o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo, a diabetes e o uso de drogas.
O sintoma mais importante e típico do enfarte é a dor précordial (ver características no esquema). Frequentemente essa dor é acompanhada por náuseas, vómitos, suores, palidez e sensação de morte iminente. A duração geralmente é superior a 20 minutos. Dor com as características típicas, mas com duração inferior a 20 minutos sugere angina de peito, onde ainda não ocorreu a morte do músculo cardíaco. Cerca de duas em cada três pessoas que têm enfarte referem ter tido angina de peito intermitente, falta de ar ou fadiga poucos dias antes. Os episódios de dor podem tornar-se mais frequentes, inclusive com um esforço físico cada vez menor. A angina pode acabar num EAM, muitas vezes servindo de sinal de alerta. Apesar destes sintomas, uma em cada cinco pessoas que sofrem um EAM até têm sintomas ligeiros ou mesmo nenhum. Pode acontecer que este EAM silencioso só seja detectado algum tempo depois, ao efectuar-se um electrocardiograma (ECG) por qualquer outro motivo.
Um EAM é uma urgência médica. Quanto mais cedo for detectado, maior será a probabilidade de sobrevivência. Qualquer pessoa que tenha sintomas que sugiram um EAM deverá ligar rapidamente 112 e descrever os sintomas. Quanto mais rápida for a resposta, menos músculo cardíaco fica afectado implicando um melhor prognóstico.
O tratamento passa pela administração de fármacos que vão controlar a sintomatologia e destruir o coágulo que está a provocar a obstrução. Poderá ser necessária uma angioplastia, cirurgia que permite recuperar a artéria obstruída.
A reabilitação cardíaca é uma parte importante no pós-EAM. Salvo complicações, os doentes com EAM, melhoram progressivamente e podem, passados 2/3 dias, sentar-se, fazer exercícios passivos, caminhar até ao banho e fazer trabalhos leves. Nas 3 a 6 semanas seguintes, a pessoa deverá aumentar a actividade e se não se verificar falta de ar nem dor no peito, as actividades normais podem ser retomadas completamente.
Lembre-se sempre que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!

Enf. Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt
 
 
 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A dinâmica do "impulso"...

Depois da minha intervenção na Assembleia Municipal do passado dia 11/02/2014, relacionada com o estado de degradação das estradas e ruas da cidade e concelho, a qual pode ser lida AQUI, e da resposta infeliz que obtive do Sr. Presidente Dr. Tinta Ferreira, que inicialmente fez um percurso pelas falências das empresas de construção nas Caldas e depois então afirmou que com o tempo de chuva não se pode tapar buracos nem pintar passadeiras, eis que hoje, dia 14/02/2014, dia chuvoso por sinal, pelo menos os buracos que enunciei na Rua do Sacramento foram tapados!
 


Afinal é possível tapar buracos com a chuva! Afinal não gostaram do slogan que criei intitulado de "Dinâmica do Sol", o que vai-me dar trabalho a criar um novo slogan, talvez "Dinâmica do Impulso", porque realmente é preciso um impulso para se agir! Mas brincadeira à parte, Sr. Presidente Dr. Tinta Ferreira, às vezes a humildade fica bem e o facto de um cidadão ir à Assembleia Municipal, expor um problema que considera gravíssimo (afinal o espaço do público serve para isso mesmo), não tem que o tomar como uma afronta, mas como uma oportunidade de corrigir um problema que afecta os caldenses. Perdeu-se com desculpas, artimanhas e arrogâncias, quando a solução seria simplesmente admitir a necessidade de intervenção neste problema. Não se inferioriza por isso, pelo contrário demonstra atenção para com os cidadãos que só lutam por uma cidade e um concelho melhor.
A minha intervenção não pedia para asfaltar por toda a cidade, simplesmente tapar estes buracos que estavam a surgir por todas as ruas e nos quais os serviços municipalizados devem intervir prontamente. Um pouco de alcatrão, não resolve para sempre o problema, mas certamente minimiza muitos problemas gravíssimos que podem decorrer destes obstáculos na via.
Só lamento que o executivo camarário não esteja mais atento a estes problemas agudos da cidade e que devem ser resolvidos prontamente e quando um cidadão alerta para esse facto, é criticado e inventam-se desculpas quando não as há.
Felizmente foi tomada uma atitude e a minha intervenção serviu para alguma coisa! Assim vale a pena ser cidadão, assim estou a fazer o meu papel...
 
P.S. (nunca o partido) - Não se esqueçam das passadeiras e dos espelhos... eu não me esqueço!

Dinâmica do Sol...

Tendo em conta as respostas dadas pelo Dr. Tinta Ferreira, após a minha intervenção na Assembleia Municipal do dia 11/02/2014, aqui fica a minha proposta para mudança de slogan do PSD. É que "nova dinâmica" já nada de novo tem, mas que se fizer alguma coisa, só faz com o sol!
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O estado de degradação das ruas e passadeiras nas Caldas da Rainha...

Intervenção na Assembleia Municipal de 11/02/2014

Boa noites a todos!
Que a cidade está mergulhada num caos, todos nós sabemos! Que as obras implicam sempre períodos de tempo de alterações indesejadas também, mesmo que os atrasos das mesmas tenham como culpa São Pedro. Nada como culpar o divino para salvar a incompetência humana. Mas se o centro da cidade está em obras, o resto da cidade precisa delas.
Começo por questionar por onde passam os responsáveis pela autarquia para se deslocarem até à Câmara Municipal? O edifício da Câmara tem heliporto, ou estação de metro? Não consigo perceber como é que ainda não “atropelaram” um buraco na estrada, como percebem onde estão as passadeiras, como circulam na cidade, para não alargar ao concelho todo que padece da mesma doença. É que os problemas são tão visíveis que não entendo a falta de resolução!
O facto de estarmos perante obras não aceites por todos mas aprovadas por alguns, intituladas de regeneração urbana, não podem justificar os buracos existentes nas ruas da cidade, alguns deles localizados mesmo nas entradas e acessos.
O exemplo gritante é o buraco localizado Na Rua Vitorino Fróis, no sentido Caldas > Foz do Arelho, um pouco antes das bombas da Repsol. Uma cratera originada pelo “desenrasca” de tapar um buraco criado pelo rebentamento de uma conduta de água. Na quinta-feira passada, dia 6 na partilha de carro com uma colega, escusado será dizer que ganhámos um susto valente, dando um golpe na suspensão do carro! Pergunto quem paga os arranjos do carro se originar uma visita à oficina? Ou até mesmo implicar um acidente no desvio rápido para a faixa contrária para fugir ao intruso da via? Outros exemplos: 
  • Rua Vitorino Fróis em frente à biblioteca municipal;
  • Rua General Amilcar Mota, junto à escola de sargentos;
  • Rua do Sacramento;
  • Rua Bernardino António Carvalho Pragana, junto ao Centro de Saúde;
  • Noutras ruas da cidade...
Onde estão os serviços municipalizados nestas situações? Ficam os buracos abertos na estrada quanto tempo? Estes casos que põe em risco a segurança rodoviária não deveriam ser resolvidos no momento? Perguntas e mais perguntas…
Ao nível das passadeiras, a maior parte das passadeiras na cidade estão apagadas, noutras foram tapados buracos e não foram repintadas, é claro e óbvio que a falta de manutenção e conservação destas estruturas fundamentais para a circulação pedonal leva à sua degradação, reduzindo assim a sua visibilidade potenciando os atropelamentos e o desrespeito pelos peões. Algumas mesmo nem se sabe que existem! Houve quem levasse uma buzinadela de um automobilista, porque achava que o peão simplesmente atravessava a via num local qualquer… Pergunto, de quem é a competência de conservar a sinalização horizontal, nomeadamente as passadeiras? Delegação de competências nas Juntas de Freguesia? É necessário ocorrer atropelamentos para se agir? Quem vai-se responsabilizar?
Saliento que relativamente a esta matéria no dia 16/12/2013 enviei email ao sr. Vereador Hugo Oliveira, responsável pela mobilidade urbana, a relatar a minha preocupação face a esta temática e não obtive resposta nenhuma. No dia 15/01/2014, um mês depois, em conversa com o sr. Vereador foi-me dito que não tinha recebido o email, pelo que for reenviado para outro mail que me facultou. Quase um mês depois, o silêncio!
Ainda dentro desta minha intervenção sobre a degradação, saliento a importância que os espelhos nalgumas artérias da cidade têm, dada a reduzida visibilidade. Se estão lá é porque são importantes e necessários. Exemplo disso é o espelho que se localizava no entroncamento entre a Rua Henrique Sales e a Rua da Alegria, que desapareceu ficando lá só o esqueleto. Quem quiser seguir para a Rua da Alegria, neste momento sem alegria nenhuma, tem de entrar com o carro para ver se vem alguém pela sua direita. Quem ali mora perto, ouve de vez em quando umas buzinadelas, esperemos que não ouça chapa a bater!
Face ao exposto, espero que pelo facto da cidade se encontrar mergulhada em obras de regeneração, isso não seja desculpa para a degradação a que se chegou. Estes casos de degradação flagrante estão fora do perímetro de intervenção e não pode ser desculpa para o estado actual. Esperar pelo término da regeneração urbana, com os atrasos previsíveis tipicamente portugueses, para actuar nestes problemas só revela falta de dinâmica. Por exemplo se rebentar uma conduta de água atua-se de imediato, porque não se faz nestas situações enunciadas que são factores potenciadores de sinistralidade?
Mais do que a resolução destes problemas pretendo que o executivo camarário e esta assembleia municipal reflictam sobre a atitude demonstrada na resolução dos problemas agudos da cidade! Não será urgente passar de um paradigma do deixa andar para um paradigma de eficiência? Não estaremos a falar de questões de fundo relacionadas com a atitude que este executivo tem face à resolução dos problemas? Deveria haver eleições autárquicas todos os anos para o dinamismo perdurar?
A eficiência e a eficácia são qualidades que não estão ao alcance de todos pelos vistos e os caldenses merecem mais respeito. Gosto muito desta cidade, aqui escolhi para viver mas não gosto da forma como está a ser gerida!
Acima de tudo quero respostas e exijo a resolução dos problemas!
Muito obrigado a todos…
 
 
Após a minha intervenção, aqui ficam as opiniões e respostas dadas:
 
Deputado António Cipriano (PSD):
As obras de regeneração têm de ocorrer e como tal causam transtornos à população, mas o que devemos pensar é no resultado final, daquilo que vamos ter após a conclusão das obras. Relativamente à sinalização horizontal, decerto que a Câmara Municipal está desperta para essa realidade.
  • Cheguei à conclusão que não falei em português! Para tal análise só pode. Eu critiquei sim a obras de regeneração, contudo aponto exactamente os problemas que surgem na cidade, como os buracos e o mau estado de conservação das ruas, que nada têm que ver com a regeneração urbana afirmando mesmo que estas não podem ser desculpa para os restantes problemas... Pelo menos a parte das passadeiras parece que percebeu agora se a Câmara está desperta para isto tenho dúvidas... As passadeiras não estão assim desde ontem!
Deputado Vitor Fernandes (CDU)
Completamente de acordo, afirmando que efectivamente as obras de regeneração não podem ser desculpa para descurar as outras zonas da cidade e ainda enunciou outras situações de degradação na cidade.
  • Pelo que parece afinal falei português e alguém me entendeu!
Deputado Brás Gil (CDS)
Concorda que a Câmara Municipal deve agilizar estas obras, no sentido de se corrigir o estado de degradação a que se chegou e que a Câmara deve estar mais desperta para estas situações não deixando chegar onde se chegou.
  • Mais descansado agora, afinal fui mesmo compreendido mas o problema foi outro há quem não queira compreender, ou melhor, queira desvirtuar a discussão!
Sr. Presidente, Dr. Tinta Ferreira
Iniciou por dizer que os partidos ocupam o espaço destinado às intervenções dos cidadãos e que no caso do MVC foi de 75%. Lamentou-se a dizer que até pediu desculpas aos caldenses pelas obras de regeneração, fazendo um périplo pelas falências das empresas de construção envolvidas nas obras de regeneração. Afirmou que o concelho é grande e em todo o concelho há necessidades de intervenções, mas afinal a culpa é mesmo do São Pedro que tem oferecido um Inverno rigoroso e motivo pelo qual está fora de questão tapar buracos, pintar passadeiras. Salientou ainda a Lei dos Compromissos onde nem tudo se pode fazer quando se quer e que quando vier bom tempo irá terminar o concurso público para pintar as passadeiras, mas quando deixar de chover. Afirmou que passarão a ser as Juntas de Freguesia a cuidar da sinalização vertical por estarem mais próximas dos problemas e os espelhos são constantemente roubados.
  • Só tenho duas palavras a dizer: ARROGÂNCIA PURA! O início da sua intervenção fica marcada pela tentativa de condicionamento, pelo facto de 3 cidadãos ligados ao MVC terem utilizado o espaço destinado às intervenções do público. Curioso, que eu saiba antes de tudo sou um cidadão e acima de tudo tenho toda a legitimidade de fazer a minha intervenção quer pertença a um partido, associação, clube de futebol ou religião. Observação triste de quem fica incomodado com a opinião dos cidadãos. Mas acredite Sr. Presidente, condicionar não me condiciona e intervir na Assembleia Municipal jamais me impedirá.
  • Depois as lamentações ficam bem e explicou e explicou as obras de regeneração e as dificuldades financeiras das empresas de construção, para quê? O que é que isso tem que ver com a minha intervenção?
  • Depois estamos no Inverno, chuvoso demais para a sua normalidade segundo o presidente, por isso tapar buracos com a chuva? Quem se lembraria disso? Pintar passadeiras com a chuva? Nem pensar! E a cereja no topo do bolo relativa à intervenção de outro cidadão que foi questionar sobre o Clube Sénior: "Querem um telhado novo? Vão lá vocês pô-lo!" Mas o que é isto? Que discurso é este?
  • A chuva pelos vistos nas Caldas da Rainha condicionam tudo. Podemos ter autênticos fossos nas estradas e ruas, que podem causar inúmeros acidentes e estragos nas viaturas, mas o Sr. Presidente não quer saber, está de chuva! Eu não fui pedir tapetes de asfalto novos, mas que pelo menos se tapem os buracos que vão surgindo de forma a minimizar os problemas, mas nem isso com a chuva e como disse, o concelho está tão necessitado de obras que as equipas dos serviços municipalizados não conseguem dar resposta a todas as solicitações. Ainda bem que reconhece a falta de eficiência e eficácia em resolver os problemas.
  • Mas resumindo, enquanto chover, não vamos ter os buracos tapados, nem as passadeiras pintadas! Caldenses comprem jipes e tratores porque vão precisar deles!
Conclusão: Tal como disse na intervenção, é muito fácil culpar o divino para desculpar a incompetência humana e neste caso estamos perante isso mesmo, incompetência de um executivo camarário que não consegue resolver os problemas urgentes da cidade e do concelho, problemas esses que podem ser causadores de sinistralidade, com danos elevadíssimos quer materiais, quer humanos! Fez um esforço enorme para sorrir antes das eleições, mas a arrogância é inata e está lá! Acredite Sr. Presidente, sou enfermeiro não sou construtor, mas se o fosse, arranjava o telhado do Clube Sénior. Continue a desculpar-se com as chuvas, quero ver quando acabar o Inverno...
Termino tal como terminei a minha intervenção: NÃO GOSTO DA FORMA COMO CALDAS DA RAINHA ESTÁ A SER GERIDA!
 
PS (nunca o partido) - Em breve publicarei as fotografias do estado a que esta cidade chegou, contudo as fotos das passadeiras poderão ver no post anteriormente publicado em 18/01/2014 aqui >>> Passadeiras? Onde?...


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Assembleia Municipal!

A Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Setembro, estabelece o quadro de competências, assim como o regime jurídico de funcionamento, dos órgãos dos municípios e das freguesias.
 
Poderes mais importantes:
  • Acompanhar e fiscalizar a actividade da Câmara Municipal;
  • Solicitar e receber informações, através da Mesa, sobre assuntos de interesse para a autarquia e sobre a execução de deliberações anteriores, o que pode ser requerido por qualquer Membro em qualquer momento;
  • Deliberar sobre a constituição de delegações, comissões ou grupos de trabalho para o estudo dos problemas relacionados com as atribuições próprias da autarquia, sem interferência no funcionamento e na actividade normal da Câmara;
  • Tomar posição perante os órgãos do poder central sobre assuntos de interesse para a Autarquia;
  • Pronunciar-se e deliberar sobre assuntos que visem a prossecução das atribuições da Autarquia;
  • Votar moções de censura à Câmara Municipal em avaliação da acção desenvolvida pela mesma ou por qualquer dos seus Membros;
Compete à Assembleia Municipal sob proposta ou pedido de autorização da Câmara:
  • Aprovar posturas e regulamentos;
  • Aprovar o plano de actividades e o orçamento, bem como as suas revisões;
  • Aprovar anualmente o relatório de actividades, o balanço e a conta de gerência;
  • Aprovar medidas preventivas, normas provisórias, áreas de desenvolvimento urbano prioritário, planos municipais de ordenamento do território;
  • Aprovar empréstimos, nos termos da lei;
  • Aprovar os quadros de pessoal dos diferentes serviços do município e fixar nos termos da lei, o regime jurídico e a remuneração dos seus funcionários;
  • Autorizar a Câmara Municipal a adquirir, alienar ou onerar bens imóveis de valor superior ao imposto pela lei;
  • Estabelecer taxas municipais e fixar os respectivos quantitativos;

Facilmente deduzimos a importância deste órgão do poder local. Participar nas Assembleias Municipais reveste-se de extrema importância. Estar presente nos debates, utilizar o período de 30 minutos destinados ao público para intervir e levar até aos membros da assembleia municipal os problemas do concelho, são formas importantes de cidadania participativa que não devemos descurar. Ocupar o verdadeiro local de decisão das políticas locais em detrimento de uma mesa de café onde todos facilmente "governam" o concelho e o país é sem dúvida um desafio que deixo a todos. É já amanhã (11/02), a primeira assembleia municipal de 2014, pelas 21 horas.
Lamento que a divulgação do Edital com a Ordem de Trabalhos apenas tenha acontecido na Gazeta das Caldas. O site da Câmara Municipal serve para quê? O Edital não deveria constar no site da Câmara? Fica a pergunta, embora a resposta seja fácil: aos cidadãos não precisam de saber qual a ordem de trabalhos... conveniente!
Enfim são os lugares de estilo constantes no Edital!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Boas iniciativas...

Ontem fui assistir à Palestra sobre as Doenças do Sangue, com o orador Dr. Fernando Miguel. Com muita pena minha não pôde estar presente no dia anterior para escutar a Liesbeth na apresentação do seu livro, 462 gramas que já tive a oportunidade de ler. Um testemunho intenso, o dia a dia de quem o cancro fez uma visita!
Estes dois eventos foram promovidos pela Associação Social e Cultural Paradense, no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro.

 
O Dr. Fernando Miguel, director do Serviço de Sangue do Hospital de Leiria, é um excelente comunicador e acima de tudo apaixonado pela área que exerce e domina habilmente. Escutá-lo é motivante e aprendermos um pouco mais sobre o sangue e as doenças como as anemias e as leucemias nunca é demais. A biblioteca da Associação encheu para assistir a este evento que serviu para esclarecer muitas dúvidas e descobrir muitas curiosidades.
Aconselho também a leitura do livro 462 gramas de Liesbeth, um testemunho na primeira pessoa e que pode dar alento a quem também se depara com um cancro, ou elucidar para esta problemática.
Sou suspeito para afirmar que estes dois eventos foram fantásticos! Desafio a ASCP a repetir, mesmo noutros âmbitos e com outros temas, pois a literacia em saúde só traz ganhos à população e à comunidade. Promover a saúde, é obter ganhos na qualidade de vida da população e nesse sentido, estes eventos são sempre importantes.
Aconselho a visitar o site da associação e a sua página no Facebook, para conhecerem esta Associação do nosso concelho e estar a par dos eventos que vai organizando. Haja mais associações no concelho a promover palestras com temas de saúde e outros. A aposta na prevenção é sem dúvida uma aposta ganha!
Parabéns pela iniciativa ASCParadense!
 


sábado, 8 de fevereiro de 2014

O poder local e os cidadãos...

A melhoria da relação cidadão-administração, depende muito da orientação para a cidadania das políticas públicas, devendo também considerar-se o sentimento, a desconfiança e a diminuição de legitimidade do sistema político e da própria administração. Esta realidade deve-se ao efeito decorrente da prolongada situação de assimetria na redistribuição dos recursos públicos e da injustiça evidenciada na desigual contribuição pública para o esforço colectivo. O fosso presente entre o quadro legal que enforma a cidadania portuguesa e as práticas sociais se traduz numa profunda desconfiança nas instituições, no sentimento de que é inútil desafiar o sistema, e na incapacidade do cidadão comum fazer valer os seus direitos. No processo de interacção dos cidadãos com a governação devemos ter em conta que as relações entre eles cobrem um vasto espectro de interacções em cada fase do ciclo das políticas públicas, passando pelo agendamento dos problemas, pela própria concepção da política, até à implementação e avaliação das mesmas, pelo que os graus de envolvimento público vão desde a simples tomada de consciência pública das políticas e troca de informação até à participação pública mais significativa nas escolhas governamentais, de forma a um controlo crescente sobre a decisão. Os indivíduos e os grupos não podem julgar a actividade dos decision–makers irrelevantes para os seus destinos pessoais e colectivos. Pensar assim é permitir que outros indivíduos e grupos podem influenciar e até, por vezes, moldar os destinos pessoais e colectivos, decidindo a afectação dos recursos, apropriando-se das oportunidades. Na verdade, o crescimento da taxa de participação não pode ser desligado do reconhecimento adequado dos factores de politização das necessidades e exigências sociais. As possibilidades de melhoria do funcionamento da administração pública e da possível mudança de comportamento dos cidadãos, no que concerne à coisa pública, assentam, sobretudo, na implementação de estruturas de inserção dos cidadãos.
Quanto maior for o nível de satisfação das exigências e necessidades dos indivíduos maior será, no futuro, o seu nível de participação. Nas diversas formas de participação política, os indivíduos procuram influenciar as decisões dos decisores, assim como as escolhas efectuadas e a selecção dos que serão designados para as executarem, ou seja, as políticas públicas. No que ao nível local diz respeito, a predominância dos conflitos centrados em questões partidárias e na ideologização da vida local diminuem a importância efectiva das orientações e acções que o poder autárquico possa vir a tomar e a empreender. Por outro lado, o facto de não haver uma concepção do desenvolvimento local e de a actividade camarária estar orientada para as acções imediatas influencia o grau de participação e a própria percepção dos munícipes em relação à possibilidade ou não do poder local ser capaz de atacar os problemas mais centrais e permanentes das sociedades locais. A motivação eleitoral circunscreve-se aos grupos próximos do poder, ou aos grupos mais empenhados politicamente, não se alargando aos vários sectores da população onde, de todas as maneiras, o interesse pelos resultados é maior do que pelas questões político-partidárias.
Alguns estudos ajudam, mesmo, a explicar a fraca cultura de participação política dos portugueses e o seu alheamento em relação à participação na vida comunitária, um claro desinteresse pela vida colectiva e uma crescente desconfiança em relação aos outros e às instituições. Os autores que se debruçam sobre esta temática têm associado tais tendências, por um lado, ao desenvolvimento de uma cultura individualista e hedonista e, por outro, à crescente partidocracia e à multiplicidade de escândalos políticos com forte cobertura mediática, desafios em larga medida também presentes noutras nações democráticas.
Por assim ser, é que o cidadão só participa quando os mecanismos de participação se apresentam credíveis, o assunto o interessa e, acima de tudo, o seu círculo imediato pode disso tirar vantagens. A cidadania, mais do que um movimento social de grande envergadura, constitui uma energia social mobilizável com apelo à responsabilidade individual face a objectivos respeitantes ao tratamento dos principais problemas quotidianos dos cidadãos, sendo ao nível da administração local que a mobilização para a participação parece revelar maiores potencialidades.
Os cidadãos precisam, sobretudo, perceber os benefícios que podem advir da sua participação. Por outro lado, é preciso que existam incentivos e sejam reduzidas as barreiras à sua participação. O modelo de governação necessita de ajustamentos que permitam aos dirigentes a redefinição do seu papel no relacionamento com os cidadãos e na implementação das políticas públicas.
Autoria de Alcídio Torres no âmbito da sua tese de mestrado

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Cidadania, pouca, mas cada vez mais...

Caldas da Rainha, uma cidade, um concelho, uma terra de águas estagnadas como muitos dizem. Mas se existe esta estagnação é porque cada um de nós compactua com tal, cada um de nós se limita ao seu umbigo, ignorando que do seu corpo surgem braços, pernas, olhos, ouvidos, boca e um conjunto de armas que agitam estas águas estagnadas se assim o entender.
Cada um de nós deve ter algo a dizer sobre a sua terra e acima de tudo interagir com ela. Desta interação surge a cidadania participativa, mais que uma forma de estar, uma forma de ser na sociedade, intervindo nesta para que responda aos seus anseios e ao dos outros, numa partilha em comunidade, sujeito a deveres e direitos.
A construção de uma sociedade mais justa para todos não se faz com a governação de quem tem esse poder, mas sim constrói-se partindo da interação entre os governantes e os cidadãos. A nível local esta premissa ganha uma dimensão maior. Os cidadãos têm obrigação de ter um papel activo na sua rua, no seu bairro, na sua cidade, na sua freguesia, no seu concelho. Intervir junto do poder local, que eleito por maioria em eleições democráticas tem o poder de governar as freguesias e o concelho, mais que um direito, constitui-se um dever.
O poder local tem obrigação de escutar os cidadãos pois só assim consegue responder às necessidades do concelho, governar da melhor forma para a melhoria das condições de todos. É através da cidadania participativa que atingimos esse paradigma.
Contudo as águas estagnadas das Caldas da Rainha só o são porque os cidadãos e a cidadania neste concelho adormecem num sono de quem apenas pretende sonhar em vez de acordar e fazer-se ouvir! O alheamento dos cidadãos da politica local tem trazido graves problemas e basta olhar para a nossa cidade que facilmente detetamos que os caldenses, efectivamente têm andado a dormir. Uma simples intervenção cidadã, devia começar pela presença nas assembleias municipais e de freguesia, onde se votam e decidem muitas politicas do concelho. A simples presença já permitia formar opiniões e emiti-las, contudo a participação cidadã fica por casa a assistir a lixos televisivos, enquanto quem nos governa usa o cartão verde que diariamente os cidadãos oferecem!
Numa cidade com tantos tipos de cidadania, enunciados por alguém incomodado com estas questões, que vai desde os meros cidadãos, aos cidadãos normais, até aos "arautos da cidadania", concluindo que por cá "há tanta cidadania que até chateia", sinceramente poucos se dão ao trabalho de serem verdadeiros cidadãos, mas felizmente há alguns que não dormem e sejam que tipo de cidadãos forem nas classificações anteriores, estão a fazer o seu trabalho.
Hoje, Caldas da Rainha é ou não um concelho mais participativo e "agitado"?
 
 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A cidadania, breve reflexão...

A cidadania é mais do que um estatuto e, portanto, não nos podemos limitar a conhecer os direitos e deveres para promover o bem comum e melhorar a vida em comunidade. O desenvolvimento integral do indivíduo implica aprender a ser e a agir em conformidade, trabalhar as atitudes, os valores e as representações, habilitando a viver e agir como cidadão responsável e livre numa sociedade democrática. Esta finalidade implica conhecimentos e competências nos domínios da responsabilidade social e moral, da participação na vida da comunidade e da literacia política, jurídica, económica, ambiental, social e cultural, ou seja a todos os níveis.
 A cidadania é algo que compete a todos. Todas as pessoas vivem em conjunto umas com as outras, não vivemos sozinhos, vivemos em comunidade. Para que as pessoas se consigam entender e para que não existam conflitos entre elas, é necessário que todos cumpram um conjunto de regras. Estas regras vão permitir que todos possam viver da melhor forma e com o maior entendimento entre todos.
A Cidadania é, então, percebermos bem quais são os nossos direitos e os nossos deveres para com os outros e dessa forma, sabermos viver em sociedade. A Cidadania é termos responsabilidade perante aquilo que fazemos; é sermos solidários para com os outros, isto é, procurar ajudar sempre quem precisa de nós. Ser cidadão significa estar atento a todas as decisões que são tomadas e que influenciam a nossa vida. Ser cidadão é chamar a atenção sempre que acontecer alguma injustiça, sempre que algo estiver mal. No fundo, ser cidadão é participar na construção de um futuro que é comum a todos.

“A cidadania é responsabilidade perante nós e perante os outros, consciência de deveres e de direitos, impulso para a solidariedade e para a participação, é sentido de comunidade e de partilha, é insatisfação perante o que é injusto ou o que está mal, é vontade de aperfeiçoar, de servir, é espírito de inovação, de audácia, de risco, é pensamento que age e acção que se pensa.”
Jorge Sampaio