sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Acessibilidade, boa notícia!

Finalmente a Câmara Municipal, apresenta a sua preocupação com as acessibilidades e quer implementar um Plano Local e Municipal de Promoção da Acessibilidade. Sendo a área das acessibilidades, de extrema importância, nas competências de um enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação, tendo como descritivo da competência nessa área:

 
Adaptado do Regulamento das Competências do E.E.E. de Reabilitação - Ordem dos Enfermeiros
 
Fico muito contente por saber que o executivo atual, faz desta problemática, uma prioridade na sua política.
A criação de "uma cidade para todos", palavras de Tinta Ferreira, iniciou-se com uma candidatura ao Programa Rampa e com base nessa aprovação, a empresa MPT, com um custo previsto de 50000 euros, irá trabalhar estas questões, apresentando no final "uma radiografia completa do território, detetando problemas arquitetónicos e apresentar soluções com o espaço público e privado envolvente", palavras de Paula Teles, responsável pela empresa. Esta análise é feita em cinco áreas, espaços públicos, edifícios, transportes, comunicação e infoacessibilidade. Também a comunidade educativa vai ser envolvida, permitindo capacitar os mais jovens para a problemática da inclusão de todos na sociedade.
Sem dúvida que a aposta numa cidade inclusiva e acessível para todos será uma mais valia e fará Caldas da Rainha um exemplo a seguir nestas questões (esperando eu que tudo corra pelo melhor), mas ainda assim levanto algumas questões:
  • Estando nesta altura, a cidade mergulhada em obras de regeneração urbana, onde está a sofrer alterações profundas nalgumas artérias da cidade, como se contornará se a "radiografia" que vai ser feita apontar deficiências nas obras atuais?
  • É certo que nestas obras de regeneração, existe algum cuidado nestas questões das acessibilidades, desde o rebaixamento dos passeios junto às passadeiras, como a diferença de piso nos mesmos locais para o invisuais, mas como exemplifica a foto abaixo, a colocação de pinos junto a algumas passadeiras são de todo incorrectos. Servem para quê? Se perguntarem a um invisual o que acha dos pinos nos passeios e se for homem, vai responder, que é um verdadeiro perigo para a sua zona genital!
 
  • Aposta-se neste plano para tornar uma cidade mais acessível para todos, mas essencialmente para cativar turismo sénior. Todos sabemos que a idade avançada detiora o equilíbrio, a força, implicando limitações na mobilidade. Mas Tinta Ferreira afirma que "as condições de clima e localização, bem como a reabertura do Hospital Termal, implicam podermos vir a ter um cluster importante de captação de turismo sénior". Acho muito bem e assim espero que seja, mas referir que é o turismo sénior o grande motivo desta aposta é limitar aquilo que é a inclusão e a participação da pessoa com deficiência e uma coisa sabemos, uma cidade acessível para a pessoa com deficiência, é certamente uma cidade acessível para o turismo sénior.
  • Fazendo parte deste Plano a parte educativa e tendo havido propostas consistentes na promoção da inclusão já há algum tempo atrás, ainda no anterior executivo, onde Tinta Ferreira era responsável pelo Pelouro da Educação, não percebo porque este não permitiu que se desenvolvesse esse projecto, gratuito e voluntário, sem encargos para a Câmara Municipal e ainda por cima, o "não" foi acompanhado de arrogância! Ainda bem Sr. Presidente que repensou as suas opções, porque sinceramente também não percebia o porquê de afirmar repetidamente que as boas ideias são sempre bem vindas e não soube aproveitar esta!
 
Fico contente, como disse anteriormente, com esta opção do executivo camarário, só espero é que este Plano não venha colidir com alguns pontos da Regeneração Urbana em curso, o que seria um esbanjamento de dinheiro, para modificar o que deveria ter sido pensado de raiz. Sei que as candidaturas nem sempre acontecem nos momentos que queremos, mas o que censuro é as obras de regeneração, apesar de mostrarem alguma sensibilidade para estas questões, não terem aprofundado mais a sua intervenção em nome de uma cidade inclusiva para todos. A foto que mostro acima é um exemplo de um erro grave no meu entender!
Veremos...



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Primeira Assembleia, "Velha dinâmica"!

Ontem, dia de São Martinho, foi dia de Assembleia Municipal, a primeira deste novo ciclo autárquico. Uma assembleia praticamente renovada, à excepção dos eleitos pelo PSD, que poucas caras novas apresentam e ainda nos brindam com a habitual dança das cadeiras onde o cabeça de lista eleito, Dr. Lalanda, dança "o vira" com o número dois da lista e voilá: eis um presidente da Assembleia Municipal que não foi o cabeça de lista eleito... contingências já previsíveis, ou a história não nos tivesse demonstrado! Mas se o PSD não apresenta caras novas, ou uma pelo menos, os restantes partidos inovaram, à excepção da CDU que mantem o seu "habitué" representante.
Mas novidade mesmo, foi pela primeira vez estarem presentes e terem assento, dois cidadãos do MVC e um presidente de junta de freguesia, que deram um ar mais respirável a órgão tão importante no poder local.
Mas os problemas continuam como sempre foi apanágio:
  • os trabalhos com início às 21 horas, iniciam sempre com atraso de 20 a 30 minutos (30 minutos de tolerância diz-se algures, só não percebo por quê uma tolerância tão alargada);
  • mesmo depois de se iniciarem os trabalhos há sempre um membro ou outro da assembleia que atrasados chegam, levando a distrações e comentários;
  • há quem chegue atrasado e mesmo assim, vá cumprimentar outros membros, tarda em sentar-se e perturba a ordem de trabalhos;
  • os escassos 30 minutos destinados ao público para dizer de sua justiça, momento alto de contacto com os cidadãos, os membros da assembleia ou estão distraídos, ou levantam-se para ir a qualquer lado, ou conversam com alguém ao lado, ou navegam descuidados pela internet nas suas tecnologias... poucos estão atentos, menos ainda interessados;
  • e assim vão decorrendo os trabalhos, bem mais animados na varanda ali bem perto, onde os cigarros distraem os mais entediados...
Entristece-me o facto dos caldenses não participarem mais, nem que seja com a sua presença, nestes momentos decisivos para a nossa cidade e concelho. Neste novo ciclo, prometem estar em discussão, temas muitos "quentes" como o Hospital Termal, a Lagoa de Óbidos, a linha do Oeste, entre outros. Mas muitas vezes um local que deveria ser sério, construtivo e decisivo, transforma-se naquilo que não deveria ser!
Ficam as palavras do Sr. Presidente da Assembleia Municipal que após as intervenções do público (um pouco desajustadas, confesso), referiu: "as pessoas participam e nós temos de ter paciência".
Tenham paciência senhores membros da Assembleia, pois as pessoas até vos elegeram para as representar! Tenham paciência... que a nossa às vezes esgota-se...
 
 

domingo, 10 de novembro de 2013

Caldas da Plebeia...

Artigo escrito por mim, publicado no Jornal das Caldas!


Não gosto de considerar classes sociais de pessoas, como se isso fosse factor de distinção, mas não resisto a brincar com o trocadilho, de chamar Caldas da Rainha, neste momento, Caldas da Plebeia. E desenganem-se os mais críticos se pensam que estou a chamar plebeia a distinta Rainha que outrora viu nestas terras a prosperidade e a ambição de erguer aqui o primeiro Hospital Termal do mundo, ou mais gravoso ainda, dizer que os caldenses são da ralé! Não por favor! Confusões possíveis à parte, passemos aos esclarecimentos… O trocadilho utilizado, considerando hoje Caldas não da Rainha, mas da Plebeia, prende-se com o facto do estado a que chegou a nossa cidade!
Ao passearmos pelas ruas da cidade somos “esbofeteados” sem dó nem piedade por grafitis (?), quais hieróglifos de tempos idos, ofensa pura se comparo a tão digna escrita egípcia. As paredes definham por um solidário pincel de tinta que lhes cicatrize as brechas do vandalismo moderno que minoritários jovens consideram um “batido” de arte, irreverência, protesto e quiçá emancipação!
Mas não é só as “bofetadas” que o transeunte padece. Convém olhar para o chão, pois nunca se sabe o que pode ficar agarrado ao seu pé! “Cocozinhos” do bicharoco que da rua faz a sanita! Culpado animalzinho, nem pensar! Isso nunca! O reinado da altivez, aliado às posturas corporais incomodativas e a falta de um mero saco de plástico, contribuem para não vergar a coluna e apanhar tão incomodativo dejecto, que os pés de alguém mais distraído irão cilindrar!
Mas e já alguém aqui disse que passear nesta terra é fácil? Até agora não e não direi até ao fim de tão básico amontoado de letras. Porque desengane-se quem acha que as obras de “renegação” urbana estão aí para melhorar! Vão melhorar um dia certamente! Lá para finais de 2014 será? É melhor não tomar como garantido que nestas coisas dos projectos, o bom português já sabe que falta a derrapagem e os atrasos “naturais” de tamanha intervenção. Mas temos uma cidade toda (des) intervencionada, em nome de uma modernidade que se quer, mas que incomoda atingi-la. Ruas destruídas, ruas construídas, buracos aqui, máquinas ali, gravilha acolá, pedras… Fazer o percurso Câmara Municipal, Estação (fantasma), por estas alturas é uma verdadeira aventura, mas em breve teremos um fosso em frente à Câmara, o esventramento da Praça da Fruta, Rua da Estação, principal carreirinho de um formigueiro sem trânsito, ufa, estou cansado. Ah e esquecia-me, concluir o que já parece semi-concluído, justificado pelas deslocações de quem vem dar os retoques finais! Se vêm cá, pois que venham para terminar tudo que vir uma vez trazer um banco e amanhã trazer uma papeleira não lembra a ninguém. Por isso cuidado, ao circular na cidade… de carro vai entrar numa rua que não se sabe o que acontecerá, a pé, atenção redobrada, que as pedras, os buracos e tudo o que se puder encontrar podem oferecer uma visita guiada ao CHO, Unidade de Caldas da Rainha, modernices dos apertos financeiros. Mas descanse, vai ter tempo para isso, quando fizer a inscrição...
Oh Rainha Dona Leonor, o que fizeram nesta terra de lamas e águas mal cheirosas que a senhora viu próspera? Prosperidade por agora só a da vergonha! Mas a esperança é a última a morrer, dizem as sabedorias populares e com novas dinâmicas em curso, herdeiras do legado do Senhor “Águas Baratuchas”, baratas  e barrentas por cá, esperemos que a Plebeia fique um pouco mais retocada. Retoques com uma tinta que ficou na lata, onde foi adicionada um pouco de água, para o tempo não secar e que agora, com o alicate das últimas eleições, reabre-se a lata para continuar a pintar esta bela cidade! E meus amigos, precisa mesmo de várias demãos! Será que a tinta é boa e chega para uma parede em tão mau estado?

domingo, 3 de novembro de 2013

Saúde, mas pouca!

 
Mais uma notícia para estragar a saúde dos caldenses... As opções de "bom gestor" do Dr. Carlos Sá, em nome dos números factuais que tem em sua posse e que "demonstram" que só se faz uma cirurgia em 7 noites, justificam esta opção. As urgências de Torres Vedras e de Caldas da Rainha, passam a ter menos um clínico geral, nas 24 horas, e menos um cirurgião, entre as 00:00 e as 08:00. O Dr. Carlos Sá esclareceu que "a reorganização das equipas médicas tem por finalidade adaptar a constituição das equipas à afluência de doentes e ao trabalho desenvolvido". Fantástico Dr. Carlos Sá!
Opinião contrária tem a Ordem dos Médicos e muito bem! Esta medida vai poupar algum dinheiro mas "pode levar a situações de pré-ruptura individual e coletiva dos grupos profissionais que estão em causa". Além disso, teme-se ainda que a medida possa "pôr em risco a qualidade do serviço prestado". E o que isso interessa? Para o Dr. Carlos Sá,  "o número de médicos cumpre as recomendações de boas práticas e assegura uma adequada resposta, em cada uma das especialidades, à procura que existe na prática". Fantástico!
A Comissão de Utentes "Juntos pelo Nosso Hospital" também afirmou a sua posição ao destacar que "todos os utentes e profissionais de saúde reconhecem que o serviço de urgência do CHO (Centro Hospitalar do Oeste) é dos serviços com maiores lacunas na qualidade global do serviço prestado, não por responsabilidade dos profissionais que lá trabalham, mas por inadequação dos reduzidos espaços e da organização dos fluxos do trabalho de atendimento dos utentes que chegam às urgências", estando por isso determinantemente contra esta medida da administração do Centro Hospitalar do Oeste.
Pois bem, a destruição do Hospital das Caldas da Rainha continua e o seu autor, o Dr. Carlos Sá a somar vitórias junto do Ministério da Saúde. Nos últimos tempos temos assistido à implementação de medidas que têm trazido prejuízos graves à saúde e às respostas de saúde dos caldenses. Aquele que foi um Centro Hospitalar robusto, hoje vive uma situação de debilidade. O alheamento do Hospital Termal e seu património porque o Dr. Carlos Sá não tem que assinar "os consertos" dos aspersores de rega dos Parque e a insistência de que fechado é que está bem, a fusão com o Hospital de Torres Vedras e o "agora toma lá este serviço e dá cá aquele", os impasses do Hospital de Alcobaça que agora é nosso, amanhã é de Leiria, a interrogação de Peniche, a diminuição dos recursos humanos, tudo tem sido episódios de um final que embora pareça desconhecido, parece ser certo e a razão é só uma, a boa gestão financeira e o bom exemplo do Dr. Carlos Sá que não olha a meios para engrandecer o seu currículo de gestor "top". O Ministério da Saúde agradece tamanho empenho, poupar, poupar, poupar. Eu diria negligenciar, destruir e manipular a saúde dos caldenses, e os caldenses a assistir na plateia, impávidos e serenos...
Perguntas que deixo no ar: 
  • Numa altura em que "uma nova dinâmica" tomou posse e onde surge tão oportunamente o pelouro da "Saúde" na pessoa da Vereadora Maria da Conceição, qual a posição desta face a estas notícias?
  • Embora conhecida a posição da Comissão de Utentes "Juntos pelo Nosso Hospital", quais as medidas efectivas que pensam tomar?
  • Os caldenses pensam reagir a mais este passo de destruição do nosso Hospital ou mais uma vez vão ficar sentados a ver?
Estou desiludido confesso, mas não conformado!

 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Bichinhos dentro da cabeça da Ministra!

Não sei, confesso. Não sei mesmo onde este país vai parar... Os nossos ministros que deviam propor formas de governação exemplares, dão sempre o ar da sua graça pelos piores motivos! Lá para os lados da Assembleia, desta vez foi a Assunção que levantou a crista para propor baboseiras... Quer ela agora dizer quantos animais posso eu ter na minha casa. Felizmente a coisa lá caiu e os animais podem descansar, que nenhum tem de ir para o canil... Mas ela quis ir mais longe e propor o assassínio a que deu o nome de eutanásia, para os animais com doenças infecciosas. Se um animal tiver o azar de padecer de sarna por exemplo, doença perfeitamente curável, abate-se porque é melhor assim!
Por isso é que eu questiono, onde este país vai parar. Senhora ministra e que tal apostar na esterilização dos animais abandonados? E que tal desenvolver estratégias de educação da sociedade para a problemática do abandono? Ao invés a Sra. Ministra, de cristas altas queria era agravar a situação... Sra. Ministra, podemos nós cidadãos limitar quantos bichinhos tem dentro da sua cabeça?
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

(Ind)ependente?

Rui Barreto foi suspenso do CDS por ter votado contra o OE! Nada de novo e até normal para mim. Não me estranha que uma pessoa que seja militante de um partido, que aceite e se reveja nos seus estatutos, vote contra uma decisão importante para a governação, como é o OE! Contudo as pessoas têm consciência, têm valores, têm concepções daquilo que defendem e nem sempre estas podem estar de acordo com aquilo que o partido defende. Conflito de papéis, poder-se-ia considerar e aí surge o voto contra de Rui Barreto. Mas esta introdução toda serve para questionar a "independência" dentro dos partidos! Ultimamente nas eleições têm surgido os candidatos independentes, apoiados pelos partidos. Por uma lado uma forma fácil de alguém se candidatar pela máquina montada que existe, sem necessidade de assinaturas para viabilizar uma candidatura, ou as contingências financeiras, necessidade que inclusive os partidos impõem aos grupos de cidadãos. Mas por outro lado, se os partidos por vezes não lidam bem com os seus militantes, nesta coisa da "disciplina de voto", como lidam com os independentes nas suas listas? Lidam bem, porque deixam de ser independentes e é como se passassem a ser militantes, deixando de lado opções e ideias, obrigando a convicções e ideologias.
Para mim, esta "abertura" dos partidos a candidatos "independentes" passa por ser uma estratégia de mostrar que os partidos afinal não estão fechados e querem interagir com os cidadãos, não obrigando a uma militância "física", mas a uma cedência limitada do seu espaço, em troca de uma boa posição no panorama político.
As máquinas partidárias criadas, concluíram que os cidadãos deixaram de se rever nas suas estruturas. Os cidadãos criam alternativas de participação política, com verdadeira independência e os partidos por não poderem impedir, criam obstáculos, que por vezes pela fraqueza dos cidadãos/candidaturas, deitam por terra a intenção de se constituírem uma alternativa.
Esta "abertura" aos cidadãos permitindo os candidatos configurarem nas suas listas como independentes nada mais é do que uma manobra de distração, uma falsa abertura, rapidamente transformada numa disciplina que apazigua qualquer intenção de verdadeira independência. Os candidatos por outro lado aceitam esta "dádiva", refugiados num "ind." que finge não vincular ao partido e por outro lado a escada fácil para uma posição que se calhar sempre ambicionou ocupar. A retribuição para o partido consiste no troco de mais uns votos (ou não), por ter na sua lista digna personalidade.
O exemplo de Rui Barreto no CDS poderia ser transposto para qualquer outro partido e quando um partido não consegue lidar com a consciência de um militante que não concordando com o proposto vota contra, mais facilmente se conclui que lidar com um verdadeiro independente, não lida, transforma-o!
 
 

sábado, 26 de outubro de 2013

Sou o dono da razão?

Escrevo como escape, como forma de depositar num sítio, o que anda na minha cabeça às voltas. Desabafos diria. Mas o certo é que o blog, conta com mais de 1500 visitas, o que por si só significa que muita gente tem por aqui passado. E eu sei que passam e graças às ferramentas do blogger, sei donde são maioritariamente. Mas estas passagens silenciosas levam-me a questionar duas hipóteses: o que eu escrevo, escrevo muito bem, não há contestação possível, sou o dono da razão e por isso não vale a pena comentar, ou por outro lado, comentar é chato e mais vale eu ficar com as minhas ideias que também não interessam nada!
Qualquer das hipóteses não me agradam nada! Gosto que as pessoas comentem, discordem, critiquem (construtivamente), sugiram, mostrem os seus pontos de vista, desafiem-me, enfim digam olá, talvez! Acredito que só assim conseguimos construir a nossa forma de pensar. Não sou, não fui e não quero ser o dono da razão e como tal mostrem-me aqui os vossos pontos de vista! Comentar não custa nada e por vezes umas breves palavras, traduzem-se numa grande ideia ou numa nova forma de pensar na minha cabeça! Vá lá, comentar os posts não custa...

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação na Inclusão!

A enfermagem de reabilitação, especialidade com percurso recente dentro da história da enfermagem, surgiu como resposta à necessidade, de no nosso país não existirem respostas no tratamento ou reabilitação de deficientes motores, surgindo por isso a necessidade de formar profissionais nesta área. Foi em 1965 que se iniciou o primeiro curso de Especialização em Enfermagem de Reabilitação, inovador no conceito de cuidar, cobrindo todos os grupos etários e impondo que a acção iniciada na fase aguda, fosse continuada em tratamento ambulatório na comunidade (RPQCEER, 2011).
Com a criação da Ordem dos Enfermeiros e mais recentemente no sentido de definir as competências específicas do Enfermeiro de Reabilitação, foi publicado em Diário da República, a 18 de Fevereiro de 2011, o Regulamento 125/2011, o qual define que o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação “possui um conjunto de conhecimentos e procedimentos específicos que permitem ajudar as pessoas com doenças agudas, crónicas ou com as suas sequelas a maximizar o seu potencial funcional e independência”. São este conjunto de conhecimentos e procedimentos específicos que vão permitir cuidar de pessoas com necessidades especiais, ao longo do ciclo de vida, em todos os contextos da prática de cuidados. Também pretendem capacitar a pessoa com deficiência, limitação da actividade e/ou restrição da participação, para a reinserção e exercício da cidadania e maximizar a funcionalidade, desenvolvendo as capacidades da pessoa (Regulamento 125/2011). Embora este conjunto de competências específicas seja abrangente, o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação intervém na alteração da funcionalidade a nível motor, sensorial, cognitivo, cardio-respiratório, alimentação, da eliminação e da sexualidade e partindo destes eixos, presta cuidados especializados e individualizados para cada indivíduo, tendo um papel relevante também na “educação dos doentes e famílias e para os habilitarem a tornar-se autoridades quanto à sua condição e situação.” (HOEMAN 2011, pág. 1).
Embora ainda actualmente as pessoas com incapacidades/deficiências sejam percepcionadas de maneira diferente, existe um conjunto de legislação internacional e nacional, bem como a criação de estruturas apropriadas no sentido de garantir à pessoa com incapacidade o direito à educação, ao trabalho, ao desporto e outros, possibilitando-lhe que se a
ssuma como cidadão de pleno direito. São exemplos disso no nosso país:
  • Resolução da Assembleia da República nº 57/2009, de 30 de Julho, que aprova o Protocolo Opcional à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adoptado em Nova Iorque, em 30 de Março de 2007;
  • Resolução da Assembleia da República nº 56/2009, de 30 de Julho, que aprova a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adoptado em Nova Iorque, em 30 de Março de 2007;
  • Decreto-Lei nº 46/2006, de 28 de Agosto, que proíbe e pune a discriminação em razão da deficiência e da existência de risco agravado de saúde;
  • Lei nº 38/2004, de 18 de Agosto, que define as bases gerais do regime jurídico da prevenção, habilitação e participação da pessoa com deficiência.
A pessoa com incapacidade/deficiência deve ser vista como um cidadão de plenos direitos e aqui os Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação têm um papel importante a desempenhar, pois tal como defende HOEMAN, 2011, (pág. 1), estes “educam os doentes e famílias e certificam-se de que conhecem os seus direitos, estão completamente informados e capazes de dar o consentimento e obtêm todos os benefícios a que têm direito para a satisfação das suas necessidades”. Também consagrado no RPQCEER de 2011, está que a pessoa com deficiência deve usufruir do seu pleno direito de cidadania, seja qual for a natureza e severidade da deficiência, devendo desfrutar das melhores condições de vida, nos vários domínios da sua vida social. Inclusive é uma competência específica do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, presente no Regulamento 125/2011, “capacitar a pessoa com deficiência, limitação da actividade e ou restrição da participação para a reinserção e exercício da cidadania”.
 Mas não é só no âmbito da ética e da cidadania que os Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação têm um papel importante a desempenhar. Porque promover a participação cívica também passa pela acessibilidade das pessoas com deficiência, quer a nível habitacional, quer a nível público, a Enfermagem de Reabilitação tem como alvo particular de atenção, no exercício do cuidar, a participação activa na definição de estratégias que, a nível local ou nacional, promovam a plena integração da pessoa com deficiência (RPQCEER, 2011).
 Também no campo dos produtos de apoio, o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação tem um papel activo. Entende-se por produto de apoio “qualquer produto, instrumento, equipamento ou sistema técnico usado por uma pessoa com deficiência, especialmente produzido ou disponível que previne, compensa, atenua ou neutraliza a limitação funcional ou de participação” (Decreto-Lei n.º 93/2009). Sendo os produtos de apoio, meios de compensar a incapacidade, vem descrito nas competências específicas publicadas no Decreto-Lei 125/2011, que o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação “selecciona e prescreve produtos de apoio”, no âmbito da “concepção de planos de intervenção com o propósito de promover capacidades adaptativas com vista ao autocontrolo e autocuidado nos processos de transição saúde/doença e ou incapacidade”.

 
 
 
Excerto da contextualização teórica de trabalho realizado por mim no âmbito do
 Mestrado em Enfermagem de Reabilitação
Quem necessitar das fontes bibliográficas entre em contacto

domingo, 20 de outubro de 2013

"Velhas dinâmicas" animais!

Ontem à noite, decorreu no Bowling Caldas, o Leo Fashion&Music, evento organizado pela Rede Leonardo para angariação de fundos, para a construção de um canil/gatil. O evento contou com passagem de modelos, onde desfilaram as criações do prestigiado estilista Pedro Batim, as fantásticas danças do ventre e tribais das Serpent Shadows: Niikuty & Ranya, a espectacular presença de Jéssica Cipriano, voz da Banda Vaivescar, e a performance brilhante da violinista Érika. A apresentação do espectáculo foi a cargo do locutor da Rádio Litoral Oeste, Frank D'Amori e da jornalista da Mais Oeste Rádio, Cristina Pinto.
Foi um evento fantástico com muito glamour, diversão e acima de tudo sensibilização para a causa animal, onde os apelos constantes dos apresentadores, bem como a visualização de um filme e até um desfile de cães recuperados do abandono pela Rede Leonardo, enriqueceram a noite já de si fantástica.
Mas tudo isto leva-me a refletir sobre esta problemática, do abandono e maus tratos dos animais. Nas Caldas da Rainha não existe um canil municipal! Existe uma "coisa" escondida, baptizada pela Câmara Municipal como Centro de Recolha Municipal, algures na zona do E'leclerc que, se tem algumas condições mínimas, tem sido graças ao contributo de muitos voluntários que não só se deslocam diariamente para dar mais conforto e qualidade de vida aos animais que lá estão, como têm criado condições de alojamento mais dignas, com o seu esforço e dedicação. Por isso aquela "coisa" se tem condições abaixo de mínimas, tem sido graças a voluntários. A Câmara Municipal, contribui com uma esmola, que a alimentação dos animais rapidamente absorve.
A sorte ainda assim, nas Caldas da Rainha, é existirem associações como a Rede Leonardo e a CRAPAA e seus voluntários que fazem um trabalho impossível todos os dias, em prol dos animais abandonados. Senão existissem estas associações como seria? Nem quero pensar!
Depois temos outro problema nas Caldas da Rainha que tendo a Câmara Municipal uma veterinária municipal, por vezes questiono-me se existe realmente! Facilmente se pode encontrar na sua clínica na Foz do Arelho. Mas as suas funções, enquanto Veterinária Municipal, deviam ser mais activas no concelho, permitindo e facilitando a esterilização dos animais, principalmente, dos animais que estão na posse das associações e inclusive na "coisa" municipal, onde têm de ser deslocados a clínicas privadas para o efeito, quando é a própria veterinária municipal a responsável pela "coisa" municipal. Isto é uma incongruência clara onde a Câmara Municipal tem obrigação de intervir, contudo mesmo que a veterinária municipal quisesse proceder a uma esterilização, não existem condições físicas nem logísticas para o fazer.
Mas não é só na gestão da "coisa" que a Câmara Municipal falha, a simples importância que a mesma dá a esta problemática, começa logo no site do município. Se entrarmos no site da Câmara, nos "serviços veterinários" que encontramos: 
  • os contactos da veterinária municipal, só disponível às quartas-feiras com atendimento ao público, apenas 2 horas das 10 às 12 horas;
  • a vacinação anti-rábica e identificação eletrónica só para 2009;
  • podemos esboçar um sorriso ao ver uma "bolsa de adopção", mas se clicarmos no link, a admiração surge logo ao vermos um formulário para preencher... para quê?
  • as competências explícitas do veterinário municipal, remetem apenas para a legislação dos animais de raças perigosas... muito útil!
  • a "coisa" existente, também apelidado pela Câmara Municipal, de Centro de Recolha Municipal (parece que os animais são objectos), pelo que parece promove a adopção... do que conheço não promove nada e à palavra adopção, é importante acrescentar a palavra responsável!
  • outra informação importante é o edital de vacinação, muito atual, ou não fosse de 2010...
  • nos perdidos e achados, está sem conteúdo... bom trabalho! Ainda bem que existem páginas e sites dedicado a isso, senão estaríamos bem...
A sensibilização deveria começar logo no site da Câmara onde as pessoas procuram informações, mas para além de desatualização, encontra-se nada!
São dois problemas graves que a Câmara Municipal tem ignorado ao longo dos anos: a criação de uma estrutura efectiva a que se possa chamar canil/gatil municipal e os serviços adequados de um veterinário municipal, que deveriam funcionar durante toda a semana, nessa estrutura, oferecendo aos munícipes um conjunto de serviços de veterinária, a preços mais baixos e em especial a esterilização animal, que contribuiria em muito para diminuir o número de animais abandonados no concelho. Aqui poderia entrar o "lobby" das clínicas veterinárias e mexer com interesses instalados é tão complicado, mas a falta de coragem de encarar os problemas do concelho são uma vergonha e a proteção e respeito pelos animais, nas Caldas da Rainha, fica muito aquém do ideal, minimizado pela existência de associações como a Rede Leonardo e a CRAPAA e dos seus voluntários que diariamente dão tudo pelos animais. E quem tem a obrigação de cuidar deste flagelo e a competência legal é a Câmara Municipal. Dr. Tinta Ferreira, para quando uma "nova dinâmica" nesta área?
 
 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A vacina contra a Gripe...


 
Todos os anos por esta altura, inicia-se a vacinação contra a gripe, mas associada a esta, surge também a dúvida do ser ou não ser vacinado. É importante por isso esclarecer um pouco sobre esta vacina.

Tal como as outras vacinas, a vacina contra a gripe é uma preparação de antigénios (microorganismos completos, mortos ou atenuados, ou fragmentos), que quando administrada num indivíduo induz uma resposta imunitária protectora específica em relação ao microrganismo que a vacina contém. Ao desencadear a resposta imunitária, é como se o indivíduo tivesse sido realmente infectado pelo microrganismo, desenvolvendo assim defesas imunitárias. Quando existir contacto real com o microrganismo, o corpo já sabe como se defender, muitas vezes nem chegando a adoecer.

As vacinas são por isso uma forma de prevenção para muitas doenças actualmente evitáveis, sendo a gripe, uma delas.

A gripe é uma doença respiratória, provocada pelo vírus da gripe (vírus influenza) e que transmite-se facilmente de indivíduo para indivíduo através das gotículas emitidas com a tosse ou os espirros. A inalação dessas gotículas através do nariz ou garganta permite a entrada do vírus no organismo, onde destrói a membrana mucosa do tracto respiratório e infecta as células. Como principais sintomas salienta-se: febre elevada, arrepios, dor de cabeça e muscular, garganta inflamada, nariz entupido e tosse seca.

A principal medida de prevenção da gripe é a vacinação, que deve ser repetida anualmente, especialmente nos grupos prioritários, nomeadamente pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, com 6 ou mais meses de idade, grávidas com tempo de gestação superior a 12 semanas, profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

A vacina contra a gripe é gratuita para pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, indivíduos residentes em lar de idosos, internados em unidades de cuidados continuados integrados, em hospitais do Sistema Nacional de Saúde, com apoio domiciliário, entre outros. Está disponível nos centros de saúde, não necessitando de receita médica ou guia de tratamento para ser administrada. Para as pessoas não incluídas nos grupos abrangidos pela vacinação gratuita, a vacina é disponibilizada nas farmácias, nos mesmos moldes das épocas anteriores, através de prescrição médica. Para além dos grupos prioritários enunciados anteriormente, a Direção Geral de Saúde recomenda a vacinação às pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos.

A vacina deve ser administrada durante todo o outono/inverno, de preferência até Dezembro. Pelo facto do vírus sofrer alterações frequentes que o transformam num organismo diferente, a vacinação deve ser repetida anualmente. A vacina da gripe para a época 2013/2014 é uma vacina trivalente, ou seja, previne a gripe causada por três tipos de vírus diferentes.

Sendo a vacina contra a gripe a melhor forma de prevenção, não hesite em vacinar-se e lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!
 
Artigo da minha autoria, publicado no Jornal das Caldas em 16 de outubro de 2013