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domingo, 5 de janeiro de 2014

3º Artigo "Pela sua saúde..." - O alcoolismo

In Jornal das Caldas, 01/01/2014
 
 
O alcoolismo não só constitui um problema gravíssimo de dependência por uma substância, o álcool, mas as alterações que provoca constituem um factor de risco para a ocorrência de acidentes domésticos, laborais e de condução, violência, abusos e negligência infantil, conflitos familiares e incapacidade prematura. De acordo com a OMS, o alcoólico é todo o indivíduo a quem o consumo excessivo de álcool afecta o estado físico, a sua economia e o seu ambiente familiar e social. Porém, o consumo excessivo de álcool numa só ocasião, não torna essa pessoa alcoólica, contudo pode ter consequências sérias para a saúde de quem bebe e para terceiros. Uma percentagem elevada de acidentes de viação é causada por condutores que se embriagaram numa ocasião apenas.

São factores que contribuem para o desenvolvimento desta dependência no indivíduo: antecedentes pessoais e história familiar de alcoolismo, integração em famílias/meios sociais propensos ao consumo de álcool, situações imprevisíveis de rotura na vida quotidiana e distúrbios emocionais como a depressão e ansiedade. Nos jovens, faixa etária onde o consumo de álcool tem aumentado cada vez mais, os conflitos entre os pais, história de hiperactividade na infância, dificuldades de adaptação à escola e de aprendizagem, necessidade de emancipação e afirmação de papéis entre os pares, podem ser factores que predispõem ao aumento do consumo de bebidas alcoólicas.

O forte desejo de consumir uma bebida alcoólica, a dificuldade em controlar o consumo, sentir sinais físicos de abstinência quando se deixa de beber, aumento progressivo das quantidades ingeridas e o abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do álcool são indicadores da dependência do álcool.

O excesso de álcool em circulação no sangue provoca um estado de excitação psíquica, com euforia, diminuição da tensão e ansiedade e anulação de inibições, perda de capacidades intelectuais, inibição da atenção e alterações a nível dos movimentos, náuseas e vómitos, podendo levar a um estado de coma ou mesmo morte. O consumo de bebidas alcoólicas, a longo prazo, pode levar a danos permanentes em órgãos vitais como o cérebro, o coração e o fígado.

O tratamento varia em função do grau de dependência e do estado de saúde geral do doente. Quanto mais cedo o alcoolismo for diagnosticado, maiores são as probabilidades de sucesso do tratamento e da recuperação. O tratamento com medicamentos, sobretudo na fase de abstinência, é necessário, contudo as psicoterapias desempenham um papel fundamental no tratamento e na recuperação. A participação em programas de recuperação e em grupos de auto-ajuda constitui um apoio muito importante para a recuperação e para o bem-estar do alcoólico. Tal como outras dependências, não existe cura. O alcoólico pode manter-se sóbrio por um longo período de tempo, mas isso não significa necessariamente que esteja curado. O risco de recaída mantém-se e por isso é uma doença crónica, mas lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!
 
Enfermeiro Especialista
Miguel Miguel
Para sugestão de temas / esclarecimentos: miggim@sapo.pt

domingo, 15 de dezembro de 2013

Deficientes, só os acessos!

 
No passado dia 3 de Dezembro, comemorou-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Esta data comemorativa promovida pelas Nações Unidas desde 1998, tem o objectivo de promover uma maior compreensão da deficiência, mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar das pessoas e aumentar a consciência pela integração das pessoas com deficiência na vida política, social, económica e cultural. A inclusão dos cidadãos com deficiência, vem defender o direito de todos os indivíduos a participarem, de uma forma consciente e responsável, na sociedade de que fazem parte, e de serem aceites e respeitados naquilo que os diferencia dos outros. Podemos afirmar que a inclusão é uma das preocupações das sociedades democráticas contemporâneas, garantindo a todos os cidadãos, quaisquer que sejam os critérios que os determinam, todos os benefícios que o desenvolvimento dessa sociedade é capaz de propiciar: acesso à educação, saúde, cultura e a um nível de vida digno, bem como à participação e construção desta. Mas para existir uma sociedade mais inclusiva, as acessibilidades numa cidade são importantes. Como todos nós sabemos, nem sempre assim é e os cidadãos com deficiência muitas vezes são condicionados de exercerem uma cidadania participativa e acederem a uma sociedade civil para todos. Muito mais difícil é o seu acesso a edifícios públicos, tantas vezes com rampas de acesso, mas depois sem casas de banho adaptadas no seu interior. Outras vezes com as mesmas rampas de acesso, mas sem rebaixamento dos passeios, junto às passadeiras, para permitir o acesso. Nas Caldas da Rainha temos um exemplo bem prático, que tem passado despercebido ao longo dos anos, para os menos atentos, mas certamente bem presente para quem se desloque numa cadeira de rodas. Tanto a Câmara Municipal, como o Tribunal, como a Igreja, têm rampas de acesso para o interior. Perfeito e exemplo de boa prática ao nível de acessibilidade, mas o que esquecemos é que para aceder a qualquer destas estruturas, não existe nenhum passeio rebaixado junto às passadeiras. Passeios esses que para além de uma altura excessiva nalguns casos, ainda têm uma valeta para escoamento de águas! Concluímos então que as estruturas que parecem acessíveis nada mais são do que três “ilhas” intransponíveis que só com a boa vontade alheia permitem um cidadão com deficiência ter igualdade de acesso. Eu próprio sentei-me numa cadeira de rodas e experienciei esta aventura! Deviam nossos autarcas, engenheiros e arquitectos experimentar tal sensação… certamente menos erros eram cometidos. Esperemos que as obras de regeneração urbana previstas para esta zona, à semelhança do que já ocorreu noutros pontos da cidade, tragam melhores acessibilidades para os cidadãos com deficiência. E que estas questões da inclusão e das acessibilidades sejam preocupações diárias e não apenas lembradas neste dia 3, porque os cidadãos com deficiência não são diminuídos pela sua condição, mas iguais em direitos e deveres!
 
Miguel Miguel
 
In Jornal das Caldas, 11 de dezembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

A Hipertensão Arterial

 
Os números são claros, em Portugal, existem cerca de 2 milhões de hipertensos, destes apenas metade tem conhecimento de que tem pressão arterial elevada, apenas 1/4 está medicado e apenas 16% estão controlados. Daí a extrema importância de conhecer este problema de saúde. A tensão arterial é a força que o sangue exerce nas paredes arteriais e deverá manter-se dentro de limites saudáveis, de 120 mmHg para a pressão sistólica (máxima) e de 80 mmHg para a pressão diastólica (mínima). A forma como geralmente é representada é 120/80 mmHg. Designam-se de hipertensão arterial todas as situações em que se verificam valores de tensão arterial elevados. Para este diagnóstico, consideram-se valores de tensão arterial sistólica superiores ou iguais a 140 mmHg e/ou valores de tensão arterial diastólica superiores a 90 mmHg.
Na maior parte dos casos (90%), não há uma causa conhecida para a hipertensão arterial, embora em algumas situações seja possível encontrar uma causa específica como por exemplo, doenças renais, perturbações hormonais ou a utilização de alguns fármacos. Contudo, existem situações que aumentam a probabilidade de vir a ter a tensão arterial elevada, nomeadamente o excesso de peso ou obesidade, o estilo de vida sedentário, fazer uma dieta rica em sal e gorduras e pobre em fruta e vegetais, o consumo excessivo de álcool, o tabagismo, o stress e ter predisposição hereditária.
Geralmente nos primeiros anos, a hipertensão arterial não provoca quaisquer sintomas, à exceção de valores tensionais elevados, os quais se detetam através da medição da tensão arterial. Contudo, pode manifestar-se por cefaleias, tonturas ou um mal-estar vago e difuso, que são comuns a muitas outras doenças. Com o decorrer dos anos, a hipertensão arterial acaba por lesar os vasos sanguíneos e os órgãos vitais como o cérebro, o coração e os rins, sendo um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares como o Enfarte do Miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral.
O diagnóstico é feito através da medição da tensão arterial e pela verificação de que os seus níveis estão acima do limite normal. Contudo, um valor elevado isolado não é sinónimo de doença. Só é considerado hipertenso um indivíduo que tenha valores elevados em, pelo menos, 3 avaliações seguidas em dias diferentes.
Não há uma cura para a hipertensão arterial. A adoção de um estilo de vida saudável, a diminuição do consumo do sal e álcool, deixar de fumar, reduzir o excesso de peso e a prática regular de exercício físico podem reduzir significativamente a tensão arterial. Se algum tempo depois de ter posto em prática estas medidas não tiver registado uma descida adequada da tensão arterial, torna-se necessário recorrer ao tratamento farmacológico prescrito pelo seu médico.
Não se esqueça, que pela ausência de sintomas no início da doença, a melhor forma de estar atento e diagnosticar este problema de saúde é avaliar regularmente a tensão arterial e lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!

Artigo de minha autoria publicado no Jornal das Caldas em 12/11/2013, ver artigo no site através do link:

domingo, 10 de novembro de 2013

Caldas da Plebeia...

Artigo escrito por mim, publicado no Jornal das Caldas!


Não gosto de considerar classes sociais de pessoas, como se isso fosse factor de distinção, mas não resisto a brincar com o trocadilho, de chamar Caldas da Rainha, neste momento, Caldas da Plebeia. E desenganem-se os mais críticos se pensam que estou a chamar plebeia a distinta Rainha que outrora viu nestas terras a prosperidade e a ambição de erguer aqui o primeiro Hospital Termal do mundo, ou mais gravoso ainda, dizer que os caldenses são da ralé! Não por favor! Confusões possíveis à parte, passemos aos esclarecimentos… O trocadilho utilizado, considerando hoje Caldas não da Rainha, mas da Plebeia, prende-se com o facto do estado a que chegou a nossa cidade!
Ao passearmos pelas ruas da cidade somos “esbofeteados” sem dó nem piedade por grafitis (?), quais hieróglifos de tempos idos, ofensa pura se comparo a tão digna escrita egípcia. As paredes definham por um solidário pincel de tinta que lhes cicatrize as brechas do vandalismo moderno que minoritários jovens consideram um “batido” de arte, irreverência, protesto e quiçá emancipação!
Mas não é só as “bofetadas” que o transeunte padece. Convém olhar para o chão, pois nunca se sabe o que pode ficar agarrado ao seu pé! “Cocozinhos” do bicharoco que da rua faz a sanita! Culpado animalzinho, nem pensar! Isso nunca! O reinado da altivez, aliado às posturas corporais incomodativas e a falta de um mero saco de plástico, contribuem para não vergar a coluna e apanhar tão incomodativo dejecto, que os pés de alguém mais distraído irão cilindrar!
Mas e já alguém aqui disse que passear nesta terra é fácil? Até agora não e não direi até ao fim de tão básico amontoado de letras. Porque desengane-se quem acha que as obras de “renegação” urbana estão aí para melhorar! Vão melhorar um dia certamente! Lá para finais de 2014 será? É melhor não tomar como garantido que nestas coisas dos projectos, o bom português já sabe que falta a derrapagem e os atrasos “naturais” de tamanha intervenção. Mas temos uma cidade toda (des) intervencionada, em nome de uma modernidade que se quer, mas que incomoda atingi-la. Ruas destruídas, ruas construídas, buracos aqui, máquinas ali, gravilha acolá, pedras… Fazer o percurso Câmara Municipal, Estação (fantasma), por estas alturas é uma verdadeira aventura, mas em breve teremos um fosso em frente à Câmara, o esventramento da Praça da Fruta, Rua da Estação, principal carreirinho de um formigueiro sem trânsito, ufa, estou cansado. Ah e esquecia-me, concluir o que já parece semi-concluído, justificado pelas deslocações de quem vem dar os retoques finais! Se vêm cá, pois que venham para terminar tudo que vir uma vez trazer um banco e amanhã trazer uma papeleira não lembra a ninguém. Por isso cuidado, ao circular na cidade… de carro vai entrar numa rua que não se sabe o que acontecerá, a pé, atenção redobrada, que as pedras, os buracos e tudo o que se puder encontrar podem oferecer uma visita guiada ao CHO, Unidade de Caldas da Rainha, modernices dos apertos financeiros. Mas descanse, vai ter tempo para isso, quando fizer a inscrição...
Oh Rainha Dona Leonor, o que fizeram nesta terra de lamas e águas mal cheirosas que a senhora viu próspera? Prosperidade por agora só a da vergonha! Mas a esperança é a última a morrer, dizem as sabedorias populares e com novas dinâmicas em curso, herdeiras do legado do Senhor “Águas Baratuchas”, baratas  e barrentas por cá, esperemos que a Plebeia fique um pouco mais retocada. Retoques com uma tinta que ficou na lata, onde foi adicionada um pouco de água, para o tempo não secar e que agora, com o alicate das últimas eleições, reabre-se a lata para continuar a pintar esta bela cidade! E meus amigos, precisa mesmo de várias demãos! Será que a tinta é boa e chega para uma parede em tão mau estado?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A vacina contra a Gripe...


 
Todos os anos por esta altura, inicia-se a vacinação contra a gripe, mas associada a esta, surge também a dúvida do ser ou não ser vacinado. É importante por isso esclarecer um pouco sobre esta vacina.

Tal como as outras vacinas, a vacina contra a gripe é uma preparação de antigénios (microorganismos completos, mortos ou atenuados, ou fragmentos), que quando administrada num indivíduo induz uma resposta imunitária protectora específica em relação ao microrganismo que a vacina contém. Ao desencadear a resposta imunitária, é como se o indivíduo tivesse sido realmente infectado pelo microrganismo, desenvolvendo assim defesas imunitárias. Quando existir contacto real com o microrganismo, o corpo já sabe como se defender, muitas vezes nem chegando a adoecer.

As vacinas são por isso uma forma de prevenção para muitas doenças actualmente evitáveis, sendo a gripe, uma delas.

A gripe é uma doença respiratória, provocada pelo vírus da gripe (vírus influenza) e que transmite-se facilmente de indivíduo para indivíduo através das gotículas emitidas com a tosse ou os espirros. A inalação dessas gotículas através do nariz ou garganta permite a entrada do vírus no organismo, onde destrói a membrana mucosa do tracto respiratório e infecta as células. Como principais sintomas salienta-se: febre elevada, arrepios, dor de cabeça e muscular, garganta inflamada, nariz entupido e tosse seca.

A principal medida de prevenção da gripe é a vacinação, que deve ser repetida anualmente, especialmente nos grupos prioritários, nomeadamente pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, com 6 ou mais meses de idade, grávidas com tempo de gestação superior a 12 semanas, profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

A vacina contra a gripe é gratuita para pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, indivíduos residentes em lar de idosos, internados em unidades de cuidados continuados integrados, em hospitais do Sistema Nacional de Saúde, com apoio domiciliário, entre outros. Está disponível nos centros de saúde, não necessitando de receita médica ou guia de tratamento para ser administrada. Para as pessoas não incluídas nos grupos abrangidos pela vacinação gratuita, a vacina é disponibilizada nas farmácias, nos mesmos moldes das épocas anteriores, através de prescrição médica. Para além dos grupos prioritários enunciados anteriormente, a Direção Geral de Saúde recomenda a vacinação às pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos.

A vacina deve ser administrada durante todo o outono/inverno, de preferência até Dezembro. Pelo facto do vírus sofrer alterações frequentes que o transformam num organismo diferente, a vacinação deve ser repetida anualmente. A vacina da gripe para a época 2013/2014 é uma vacina trivalente, ou seja, previne a gripe causada por três tipos de vírus diferentes.

Sendo a vacina contra a gripe a melhor forma de prevenção, não hesite em vacinar-se e lembre-se que apostar na prevenção é ganhar qualidade de vida!
 
Artigo da minha autoria, publicado no Jornal das Caldas em 16 de outubro de 2013